terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Os melhores filmes de Natal


Não sou uma pessoa de tradições e nem acredito nas ideias por trás do Natal, mas por outro lado adoro o espírito de fantasia dessa data, além dos enfeites, da comida e das reuniões familiares. Então aqui vão algumas dicas de filmes pra assistir esta semana:





(sem ordem de preferência)


A Felicidade Não Se Compra (1946)
O clássico oficial do Natal americano - a melhor opção pra se ver em família e celebrar o espírito de fim de ano. Na verdade não é literalmente um filme de Natal, com Papai Noel, trenó, etc... mas ele evoca de forma brilhante os valores de família e amizade que as pessoas procuram resgatar nessa época. É sem dúvida um dos meus 10, 20 filmes favoritos.








Esqueceram de Mim (1990)
Quando criança, essa era minha referência do que seria a família ideal, a casa ideal, a infância ideal, o Natal ideal. É um roteiro brilhante e original de John Hughes (que produziu mas não dirigiu o filme) e ganha vida com o carisma inigualável de Macaulay Culkin. A trilha de John Williams é o Natal reduzido a áudio (ouça). O segundo também entra aqui de carona.








Uma História de Natal (1983)
Pouca gente conhece no Brasil mas é talvez o filme natalino mais querido dos EUA. Único, quase um cult, é levemente excêntrico e tem toques de humor negro - mas não deixa de ser apropriado pra família toda e consegue ainda fazer chorar. Quem faz a mãe é Melinda Dillon de Close Encounters.









Férias Frustradas de Natal (1989)
Depois de um 2º capítulo menos memorável, a série ganha vida nesse episódio de Natal com a família Griswold onde absolutamente tudo dá errado. Muito difícil não rir (como já disse, pra mim é a versão "live-action" da família Simpson).









Noite do Terror (1974)
Quem quiser fugir do óbvio, esse slasher com Olivia Hussey (Romeu & Julieta) e Margot Kidder (Lois Lane original) é um dos melhores do gênero e influenciou Halloween, Sexta-Feira 13, etc. Curiosamente, é de Bob Clark, o mesmo diretor de Uma História de Natal.









Milagre na Rua 34 (1947)
Não é a refilmagem de 94 e sim o clássico com a Natalie Wood com apenas 8 anos no papel central. Tem cenas gravadas na parada real da Macy's de Thanksgiving - onde Edmund Gwenn foi de fato o Papai Noel.










Duro de Matar (1988)
Esse apenas se passa no Natal - é uma espécie de Home Alone adulto. Tem filme que é tão conhecido que a gente acha que viu mas não viu de verdade (ou viu há muito tempo e já esqueceu). Quando aluguei Duro de Matar há alguns anos percebi que só tinha uma noção bem vaga do filme. E ele é bem melhor do que eu imaginava! Uma referência do gênero.






Não achei 10 filmes ótimos pra colocar aqui, então fica sendo um Top 7. Não sou muito fã de Natal Branco com Bing Crosby, nem do curta A Charlie Brown Christmas, 2 filmes que costumam entrar nessas listas.

Pra quem não for muito cristão e quiser algo mais ousado, dê uma olhada nisso:



CONFIRA OUTRAS LISTAS:

Os melhores filmes de terror
Os melhores filmes de comédia
Os melhores filmes românticos
Os melhores filmes de ficção-científica
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Os melhores filmes de natal
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tron - O Legado


Sequência de Tron - Uma Odisséia Eletrônica, cult da Disney de 1982 que foi revolucionário pelo visual exótico de fundos pretos contra elementos gráficos coloridos (foi um dos primeiros filmes a usar imagens geradas por computador). 28 anos é sem dúvida um dos maiores intervalos entre um filme e sua sequência (se você esquecer que em 94 fizeram E o Vento Levou 2). Um milagre, numa época fascinada por remakes. Mas mesmo um remake aqui seria apropriado - Tron é um caso perfeito de um filme que pede atualização: não chegava a ser um grande filme, as gerações mais novas não conhecem, tinha uma premissa original, extremamente comercial, ficou datado por causa dos efeitos. Ou seja, a intenção é totalmente válida.

O problema é que eles foram fiéis demais ao original e mantiveram inclusive os defeitos. Existem tantos livros sobre roteiro, tanta informação disponível em relação a todos os aspectos da arte cinematográfica, que me espanta que quase 3 décadas depois do lançamento do primeiro, a tecnologia tenha se desenvolvido apenas no sentido físico/concreto da coisa - os efeitos especiais e o design de som desse filme estão entre as coisas mais impressionantes que eu já vi e ouvi. Mas no que diz respeito ao lado artístico, os cineastas continuam com as mesmas dificuldades de sempre.

De certa forma, essa falha é apropriada para um filme que conta a história de um homem que cria um mundo "perfeito" dentro de um vídeo game e 20 anos depois percebe que teria trocado tudo por mais alguns minutos com o filho. Como é que alguém com o poder de fazer algo tão extraordinário pode cometer erros tão ingênuos? Falha de introspecção. "Perfeição", em Tron, parece ser perfeição puramente física - um mundo onde não há lixo, não há poeira, fios de cabelo estão todos no lugar, ninguém vai ao banheiro, soldados formam filas retas, mas nada é feito em relação à consciência.

Após o espanto visual inicial, o filme é mais do mesmo. É um dos mundos mais incríveis já vistos no cinema, mas o filme não consegue criar o contexto psicológico certo pra torná-lo um grande evento. As imagens são espetaculares, mas nunca se amontoam em grandes cenas. Os sons de Daft Punk são brilhantes - mas não são boa música.

Tron - O Legado
Tron: Legacy (EUA, 2010, Joseph Kosinski)

Orçamento: US$ 170 milhões
Bilheteria atual: US$ 67 milhões
Nota do público (IMDb): 7.7
Nota da crítica (Metacritic): 4.9
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de Avatar, Star Trek (2009), Speed Racer, Tron - Uma Odisséia Eletrônica, e o visual de 2001: Uma Odisséia no Espaço.

NOTA: 6.5

sábado, 18 de dezembro de 2010

Machete


Esse talvez seja o primeiro filme da história a ser baseado num trailer (antes de Grindhouse - a sessão dupla de Tarantino e Robert Rodriguez - passavam vários trailers falsos, criados especialmente pro filme, que colocavam a platéia já no clima de filme B que seria parodiado depois). Machete era um desses trailers - Rodriguez gostou tanto da brincadeira que resolveu fazer o filme inteiro.

O resultado é um exercício cinematográfico cínico, vazio de propósito e de graça, que repete as mesmas falhas de Planeta Terror (a metade de Grindhouse de Robert Rodriguez). Uma tiração de sarro de um gênero de filmes que a maioria das pessoas nem sequer conhece - e que Rodriguez no fundo gosta!

Essa é a covardia e a contradição desses tipo de paródia: a cada cena, Rodriguez está dizendo "vejam como esses filmes eram vulgares e baixos". Só que ele está usando os mesmos recursos pra entreter a platéia! Violência, sexo, ação barata... Ele conta justamente com as características que está zombando pra tornar o filme minimamente interessante.

Num outro nível de contradição, vemos Rodriguez buscando crédito por suas habilidades como diretor (esbanjando domínio técnico, estilo), ao mesmo tempo em que tenta escapar de qualquer crítica, fazendo um filme assumidamente trash. Se questionado quanto à qualidade de Machete, ele poderá sempre dizer "mas era só uma brincadeira, eu não estava tentando ser bom, não é um filme de verdade".

Resumindo, é um filme de 1 piada só - uma que já estava no trailer. Durante 10 minutos é divertido, mas depois fica monótono e nem mesmo as participações especiais de Robert De Niro, Steven Seagal e Lindsay Lohan conseguem manter o interesse.

Machete (EUA, 2010, Robert Rodriguez / Ethan Maniquis)

Orçamento: US$ 10.5 milhões
Bilheteria atual: US$ 40 milhões
Nota do público (IMDb): 7.3
Nota da crítica (Metacritic): 6.0
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de Os Mercenários, Bastardos Inglórios, Planeta Terror, Era uma Vez no México.

NOTA: 4.0

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Os melhores filmes brasileiros

Falando de forma generalizada, não sou grande fã do cinema nacional e acho que bons filmes brasileiros são raras exceções. Até por isso não sou nenhum perito no assunto - não sou de ver filmes por obrigação cultural (em especial aqueles do cinema novo, do cinema marginal - Glauber Rocha, Sganzerla, Bressane - assisti vários durante um período de formação, mas depois que entendi por que não gostava deles, ficou difícil continuar vendo). De qualquer forma, registro aqui algumas lembranças positivas do cinema brasileiro:

(sem ordem de preferência)

Antigos:

 
Floradas na Serra (1954)
Pra mim o melhor dos antigos e o único que se parece de fato com um clássico do cinema. Até pela raríssima aparição nas telas de Cacilda Becker (o mito dos palcos) numa performance inesquecível que lembra até os momentos mais românticos de Greta Garbo.







 
O Homem do Sputnik (1959)
Uma das sinopses mais divertidas: um satélite que parece ser o Sputnik cai no quintal de um caipira matando algumas galinhas - ele tenta negociar o satélite pra recuperar o prejuízo, mas acaba chamando a atenção de espiões internacionais (!). Com Oscarito e a fantástica Zezé Macedo.







 
O Beijo da Mulher-Aranha (1985)
Co-produção entre Brasil e EUA, foi o primeiro filme independente indicado ao Oscar de Melhor Filme, e William Hurt foi o primeiro a ganhar o Oscar de melhor ator interpretando um personagem abertamente gay. Dirigido por Hector Babenco. Para os desavisados, não há de fato "mulheres-aranha" no filme.






 
O Cangaceiro (1953)
Considerado o melhor filme produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, foi o primeiro brasileiro que fez sucesso ao redor do mundo (após ter sido premiado em Cannes). Dirigido por Lima Barreto, foi inspirado na figura de Lampião.







Retomada:

 
Lavoura Arcaica (2001)
Este é talvez o filme brasileiro mais impressionante que eu já vi. É um filme denso, longo, difícil de assistir, mas extremamente gratificante. Um dos textos mais ricos que já vi num filme, grandes performances de Raul Cortez, Selton Mello, e é tecnicamente impecável.







 
O Homem que Copiava (2003)
Adoro a criatividade e o entusiasmo de Jorge Furtado, autor de Ilha das Flores, o curta-metragem mais conhecido do Brasil. Além disso ele é um dos poucos cineastas brasileiros que valorizam enredo e trama.








 
Cidade de Deus (2002)
Não sou fã desse tipo de filme, mas reconheço a força e a originalidade de Cidade de Deus, que influenciou tudo o que veio depois. Foi indicado a 4 Oscars e é o 18o melhor filme de todos os tempos segundo os usuários do IMDb.








 
2 Filhos de Francisco (2005)
Tem gente que mistura as coisas e acha que o filme tem que ser "brega" por se tratar da história de Zezé di Camargo & Luciano. Mas a verdade é que o filme podia ser até sobre o Tiririca que ainda seria excelente; histórias de sucesso são universais e essa é especialmente bem contada e emocionante.










Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)
Meu atual filme brasileiro favorito. Simples, singelo, inspirador, um acerto completo em termos de roteiro, elenco, direção, contando uma história tocante de amor entre 2 garotos de forma bastante universal.









Bingo - O Rei das Manhãs (2017)
Além de ser uma das melhores premissas do cinema nacional dos últimos anos, é também o filme nacional mais bem realizado dos últimos anos. Tudo é um acerto, desde a performance fenomenal do Vladimir Brichta, até a trilha sonora 80's, a direção de arte, os efeitos gráficos fazendo referências a VHS, a fotografia, edição, etc. Uma produção nível Oscar certamente.







OUTROS:

- Super Xuxa Contra o Baixo-Astral (1988)
- Sonho de Verão (1990)

PÓS ANO 2000:

- A Dona da História (2004)
- Ó Paí, Ó (2007)
- Tropa de Elite (2007)
- Saneamento Básico, o Filme (2007)
- Última Parada 174 (2008)
- De Pernas pro Ar (2010)
- Tropa de Elite 2 (2010)
- O Lobo Atrás da Porta (2013)
- Minha Mãe É uma Peça: O Filme (2013)
- Trinta (2013)
- Faroeste Caboclo (2013)
- Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo (2016)


Agora, uma lista com outros grandes filmes brasileiros segundo a crítica e o público (estes não representam o meu gosto pessoal):

Limite (1931)
Ganga Bruta (1933)
Rio, 40 Graus (1955)
O Pagador de Promessas (1962)
Os Cafajestes (1962)
Assalto ao Trem Pagador (1962)
Vidas Secas (1963)
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
São Paulo, Sociedade Anônima (1965)
Todas as Mulheres do Mundo (1966)
Terra em Transe (1967)
O Bandido da Luz Vermelha (1968)
Macunaíma  (1969)
O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969)
Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)
Pixote - A Lei do Mais Fraco (1981)
Central do Brasil (1998)
O Auto da Compadecida (2000)
O Invasor (2001)
Bicho de Sete Cabeças (2001)
Carandiru (2002)
2 Coelhos (2012)
O Som ao Redor (2012)

Que Horas Ela Volta? (2015)
Chatô, o Rei do Brasil (2015)
Aquarius (2016)

CONFIRA OUTRAS LISTAS:


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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Enterrado Vivo


A pergunta que se faz aqui é: por que alguém iria querer entrar numa sala de cinema e acompanhar durante 1 hora e meia a agonia de um homem preso dentro de um caixão? Qual o propósito de um filme com este? Pra que serve o cinema? Fico imaginando extraterrestres descendo na Terra pra estudar o comportamento humano e se deparando com uma platéia desse filme. O que iriam imaginar? Você paga, entra numa sala escura, e acompanha a história de um outro ser humano como você numa das piores situações imagináveis. "Pra ver como ele escapa da situação com coragem, habilidade e inteligência?". Não, apenas pra ter a sensação de como seria estar naquela situação. As ações do personagem são apenas senso comum - não há nada de tão impressionante que ele faça que justifique a existência de um filme.

Alguns filmes como Mar Aberto ou Os Estranhos também mostravam vítimas agonizantes mas sob o pretexto de que aquilo havia "realmente acontecido". Ah claro, se a história é baseada em fatos reais, hoje em dia qualquer porcaria está justificada. Mas aqui nem essa desculpa se tem.

Geralmente a graça desses filmes que se passam em lugares pequenos (como Demônio) está no desafio do roteirista e do diretor desenvolverem uma trama complexa e envolvente com pouquíssimos elementos (o exemplo clássico disso seria 12 Homens e Uma Sentença de 1957). Mas acho que nunca houve um filme que se passasse num lugar TÃO apertado.

Até que o filme começa bem, num espírito meio Hitchcock, mas eventualmente tem que abandonar a lógica pra tornar as coisas mais interessante. Por exemplo: há um isqueiro que funciona por mais ou menos 1 hora aceso (o pior é que em vários momentos não há motivo algum pra ele estar ligado exceto para facilitar a vida do diretor de fotografia). Outra surpresa: enquanto na maioria dos suspenses os telefones celulares nunca funcionam quando se precisa deles, aqui é o oposto: a bateria não acaba, o sinal é ótimo e dá até pra postar vídeos na internet de dentro tumba.

De todas as coisas improváveis do filme (incluindo o tamanho do caixão que é bastante confortável, o ar que nunca acaba, o FBI que nunca consegue triangular o sinal do telefone) nenhuma supera a aparição de uma cobra de 1 metro e meio dentro da calça de Ryan Reynolds. Essa eu deixo pra vocês explicarem.

Manipulação é perdoável num filme despretensioso, que tem o intuito de entreter. Manipular a realidade pra trazer desconforto pra platéia é um sadismo muito difícil de justificar.

Enterrado Vivo
Buried (ESP/EUA/FRA, 2010, Rodrigo Cortés)

Orçamento: ?

Bilheteria atual: US$ 17 milhões

Nota do público (IMDb): 7.6

Nota da crítica (Metacritic): 6.5

Assista o
trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de Mar Aberto, Os Estranhos, da série Jogos Mortais, etc.

NOTA: 5.0

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada


Depois que o segundo Nárnia foi mal nas bilheterias, a Disney pulou fora e o destino da série ficou incerto. Agora a Fox resolveu se arriscar e produzir mais este filme, que é o terceiro seguindo a ordem da publicação dos livros (são 7 ao todo, mas eles não seguem a ordem cronológica da história; A Viagem do Peregrino da Alvorada por exemplo seria o quinto cronologicamente). O diretor é o competente Michael Apted, de Coal Miner's Daughter, Na Montanha dos Gorilas e Nell.

O filme tem alguns dos mesmos defeitos da série Harry Potter - personagens desinteressantes partindo em missões desinteressantes, impulsionados apenas por um senso de dever, de responsabilidade (não por interesse próprio, nem mesmo pelo interesse da platéia) e enfrentando obstáculos e monstros que não são assim tão assustadores (o maior monstro do filme é aniquilado num passe de mágica por uma espada brilhante, sem maiores complicações). No fim, todos choram e se despedem, como se tivessem vivido a maior aventura do cinema.

Não há nenhuma magia, nenhum toque de fantasia, apesar de tantos efeitos especiais. Pegue a cena em que a menina aprende um feitiço e consegue fazer nevar dentro de uma sala fechada. Ela olha a neve encantada e a trilha sonora levanta, dando a entender que deveríamos estar igualmente maravilhados. Mas como se impressionar com uma nevinha mágica quando já estamos num universo paralelo dentro de um quadro, onde ratos falam e um leão representa Jesus Cristo?! Fantasia dentro da fantasia não cria mais fantasia e sim tédio (os filmes do Harry Potter cometem esse mesmo erro).

Vendo o filme não estava consciente das alegorias cristãs (que já vêm da obra de C. S. Lewis), mas consciente ou não, elas estão lá e tornam a experiência toda um pouco mais desagradável. O espírito de auto-sacrifício, de obrigação, de um mundo cheio de perigos, de punições, de objetivos indefinidos... Por exemplo, a idéia de que é errado ser rico - quando um personagem encontra um vale cheio de peças de ouro dando sopa - coroas, vasos, moedas, etc - e começa a pegar algumas coisas de "recordação", a gente sabe automaticamente que ele será punido (como de fato é) mesmo que não haja razão alguma pra isso.

Ou seja, os problemas são sempre os mesmos - boas imagens (embora o 3D seja de segunda), boa produção, bons efeitos, e ruim todo o resto.

No fim, o filme é tão divertido quanto soa algo que tem no título palavras como "crônicas", "Nárnia", "peregrino" e "alvorada".

As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada
The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader (EUA, 2010, Michael Apted)

Orçamento: US$155 milhões
Bilheteria atual: US$ 103 milhões

Nota do público (IMDb): 6.7

Nota da crítica (Metacritic): 5.4

Assista o
trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de Fúria de Titãs, Como Treinar o Seu Dragão, Alice no País das Maravilhas, A Bússola de Ouro, etc. O primeiro Nárnia foi um filme superior. Mas se você chegou a gostar do segundo, não irá se decepcionar com este.

NOTA: 5.0

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Predadores


Roger Ebert apontou um fato interessante: o filme já parte de um deus ex machina (que é um elemento artificial de enredo - um acontecimento nada plausível que surge pra consertar buracos na história - no teatro grego isso acontecia no FINAL das peças, quando um deus literalmente descia no meio do palco pendurado por um guindaste e resolvia as pontas soltas da trama).

O filme começa com Adrien Brody abrindo os olhos e percebendo que está em queda livre no meio das nuvens. Ele abre um paraquedas e vai pousar no que parece ser a selva Amazônica. Lá, ele encontra outras pessoas que também caíram do céu e não sabem onde estão (dentre elas a brasileira Alice Braga).

Logo depois eles reparam que o Sol não se move e que o campo magnético está enlouquecido. Quando chegam num ponto descampado da floresta, eles têm a visão magnífica de várias luas e enormes planetas no céu: a-ha, eles não estão na Terra! A gente se pergunta como ninguém tinha notado objetos tão imensos no céu , já que eles tiveram tempo de contemplar a movimentação do Sol (não viram nem mesmo antes, enquanto voavam de paraquedas?). Enfim. Resumindo, lá estão eles no lar dos Predadores, dos quais tentarão escapar o filme todo.

A pergunta que não quer calar: por que Predadores viajariam distâncias astronômicas através da galáxia, capturariam meia dúzia de humanos na Terra, levariam eles de volta para o planeta de origem, soltariam todos na selva (com o toque dramático de jogá-los do alto), só pra depois caçá-los e matá-los? Recreação? Tente fazer um bom filme a partir daí...

Apesar da premissa nonsense, o filme é mais divertido e elegante que esses últimos Alien vs. Predador (o que não é exatamente uma façanha). A gente nota um cuidado na produção, na direção - quem fez certamente gosta do gênero sci-fi e tem respeito pelos clássicos (a produção é de Robert Rodriguez, o que deve explicar isso). Mas ainda se trata de uma cópia de segunda - uma Xerox simples, que registra os elementos básicos dos originais - o ritmo, o tipo de trilha, de imagem, de personagens - mas não consegue reproduzir os detalhes e as sutilezas que tornavam eles especiais.

Predadores
Predators (EUA, 2010, Nimród Antal)

Orçamento: US$ 40 milhões
Bilheteria atual: US$ 126 milhões

Nota do público (IMDb): 6.6

Nota da crítica (Metacritic): 5.1

Assista o trailer


INDICAÇÃO: Fãs dos originais, quem gostou de Resident Evil 4: Recomeço, Alien vs. Predador, Aliens - O Resgate (sem comparações)...

NOTA: 6.0

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Skyline - A Invasão


Estava com um leve mal estar e saí da sessão lá pelos 40 minutos de filme (depois ainda fiquei me perguntando se teria aguentado ver até o final, mesmo que estivesse passando bem). Então isto não é uma crítica, apenas um alerta - porque pelo pouco que vi, já deu pra perceber que se trata de uma das maiores bombas do ano. O filme foi "dirigido" por 2 irmãos que na verdade são técnicos em efeitos especiais (já participaram de 60 filmes incluindo produções top de linha como Benjamin Button, 2012 e Avatar), mas antes só haviam dirigido 1 único longa: Alien vs. Predador 2. Os efeitos até que são muito bons, considerando o orçamento de apenas US$ 10 milhões. Mas o requinte artístico do filme é comparável ao de uma produção pornô de segunda categoria: a noção de narrativa, de interpretação, de decupagem, de ritmo, é tudo tão desengonçado que o filme se torna extremamente confuso e difícil de assistir... Até cenas simples de diálogo são esquisitas... A câmera parece mal posicionada, os atores são forçados... Quase nem se parece com um filme. Alguém achou que, por eles entenderem de efeitos especiais, os irmãos Strause seriam capazes de dirigir o filme todo - seria como entregar a presidência de uma empresa a pedreiros, por eles terem sido capazes de construir o prédio da empresa.

Skyline - A Invasão
Skyline (EUA, 2010, Colin Strause / Greg Strause)

Orçamento: US$ 10 milhões
Bilheteria atual: US$ 46 milhões
Nota do público (IMDb): 4.6
Nota da crítica (Metacritic): 2.6
Assista o trailer

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos


Menos "pop" que Match Point ou Vicky Cristina Barcelona, este filme lembra mais trabalhos do Woody Allen dos anos 90 como Hannah e Suas Irmãs ou Maridos e Esposas. Não foi bem recebido nos EUA nem em Cannes, mas acho que é um de seus filmes mais redondos e satisfatórios dos últimos tempos. Os créditos começam sobre uma versão de "When You Wish Upon a Star" (o "hino" da Disney e uma das músicas mais felizes do mundo) mas logo em seguida vem o balde de água fria com a citação de Macbeth que abre o filme: "A vida é um conto narrado por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada". Isso define o tom do filme, que segue contando a história de vários personagens, em tramas paralelas interconectadas, todos lutando por algum objetivo na vida - e fracassando.

Temos Josh Brolin, como um escritor que teve sucesso com seu livro de estréia, mas depois só publicou fracassos - e agora está aguardando a resposta da editora sobre seu novo trabalho. Ele está num casamento frustrado com Naomi Watts - que trabalha numa galeria de arte, onde começa um flerte pouco promissor com o patrão (Antonio Banderas). A mãe de Naomi, Helena (feita por Gemma Jones), foi abandonada pelo marido (Anthony Hopkins), que agora resolveu reviver a juventude - fez bronzeamento artificial, clareou os dentes e começou a namorar uma "atriz" com metade da sua idade. Frustrada, a senhora abandonada começa a frequentar uma vidente, que alegra a vida dela com previsões maravilhosas sobre o futuro, como o título do filme. Sabemos do começo que a tal vidente é uma impostora - ainda assim Helena é a única personagem "feliz" de todo o filme.

Resumindo, a vida é um horror, cheia de sofrimento, tristeza, e que não faz sentido algum - a única maneira de ser feliz seria fechando o olho pra realidade e vivendo num mundo de fantasia e misticismo. Alguns críticos andam dizendo que Woody Allen está mais negativo, pessimista. Bobagem - esta sempre foi a opinião de Woody sobre a vida. A diferença é que antigamente ele transformava sua depressão em boas piadas; agora ele está disfarçando menos, deixando escapar um certo cinismo e desprezo pelos personagens.

Nem preciso dizer que discordo totalmente da filosofia explícita dele - mas isso não me impede de apreciá-lo como autor, como cineasta, como "psicólogo". É essa dualidade de Woody Allen que o torna tão especial: embora a mensagem do filme seja depressiva, o estilo dele não é. O filme é criativo, estimulante, contado com clareza, cheio de observações psicológicas brilhantes, diálogos bem escritos, timing, humor - você acha que esses são sinais de uma pessoa realmente pessimista e que não vê sentido na vida? Comportamento sempre diz mais do que palavras (e no caso de arte, estilo sempre revela mais que conteúdo), e por isso, o filme acaba sendo positivo.

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos
You Will Meet a Tall Dark Stranger (EUA/ESP, 2010, Woody Allen)

Orçamento: ?
Bilheteria atual: US$ 18 milhões
Nota do público (IMDb): 6.8
Nota da crítica (Metacritic): 5.1
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Fãs do antigo Woody Allen. Céticos/ateus vão captar melhor o humor.

NOTA: 7.0

terça-feira, 30 de novembro de 2010

coisas que se vê nas locadoras #5

Esse seria mais um "coisas que se ouve nas locadoras". Entre 2003 e 2004 tive a memorável experiência de trabalhar numa locadora (na rede 2001), onde diariamente ouvíamos "pérolas" de clientes que chegavam lá sem saber exatamente os nomes dos filmes. Os funcionários se rebelaram e publicaram alguns casos na comunidade da 2001 no Orkut:


Já saiu o primeiro
As Invasões Bárbaras... "O Desequilibrio do Império Americano"?










Cliente viajado: "já chegou About Boys and Wolves?" - Sobre Meninos e Lobos (cujo título original é Mystic River).
(!)

O título recorde de nomes errados que eu me lembre é: Quem Somos Nós?
Cliente pedindo: Vcs tem de onde viemos?? Quem sou eu ?? Como somos nós? dentre outros... O pior é que mês que vem tá chegando Quem Somos Nós 2, rssss...


"Procurando Lenin": Seria Adeus, Lenin! ou Procurando Nemo?

"Baleias Encantadoras" = Encantadora de Baleias


"O Fantástico Mundo de Polín" / "A Fabulosa Amélia"










"A pérola maior, pra mim foi o dia em que o cliente de frente para a prateleira de documentarios me perguntou se nao tinha o filme "Hotel Majestic", perguntei se era o filme: "Cine Majestic", ele disse que não, mas depois de muitos descobri em fim que ele queria o filme: "Edifício Master"!!!???!!!"


Migração Alada: "o cliente chegou ontem e pediu pra venda o filme "Almas Migratórias" (aquele documentário sobre pássaros) (!)."




"Xeque-Mate do Woody Allen"








"Quem mandou traduzirem os filmes com outro nome? Assim os clintes se confundem, como uma mulher que pediu "Tem Boogie Nights - A festa nunca termina? Acho que em inglês é Studio 54". E quando eu falo que são três diferentes e pergunto qual dos três ela quer, adivinha? Ficou brava.."


"O Grito" - olha esse é o original japonês - apontando pro O Grito do Antonioni na prateleira de Arte.

"tem memórias de uma mente sem lembrança???
dã!!"



"A cliente queria saber se tinha um filme... não lembrava direito do título... podia ser The Notebook ou The Lap-Top"










"O Clã das Libélulas Voadoras"

Essa tinha peso na consciência: "Já chegou Por Minha Culpa?" = Má Educação

"o site disse que eu pareço a mocinha daquele filme..hmm..Honra e Prejuízo...
Eu: Orgulho e Preconceito??"



"Alguém ae ja viu (ou ouviu) o filme Cinco de Vingança?" - será que ele era Romano?










"A Cliente chega na loja e pergunta toda alegre:
Já chegou Pequena Miss Sushi ???
Obs.: Ela é japonesa !!!"


"Oi, tudo bem? Tem o filme Studio 57??" (esse errou por três)"

sábado, 27 de novembro de 2010

Demônio


5 pessoas estão presas num elevador num edifício comercial. Há uma queda de energia. Quando a luz volta, uma mulher foi ferida. A energia cai de novo. Alguém aparece morto. Os passageiros concluem que há um assassino entre eles - e gastam o resto do filme tentando adivinhar quem é, enquanto os bombeiros tentam entrar no fosso (estranhamente vedado). A trama lembra algo vindo da Agatha Christie - exceto que neste caso a platéia não participa do processo de adivinhação, afinal todo mundo já leu o título (e pelos acontecimentos fica claro que ninguém ali dentro poderia ter sido o responsável). É O Caso dos Dez Negrinhos pré-digerido para pessoas com DDA.

Algumas coisas não são muito convincentes. Eu não acredito em demônios, espíritos, duendes, nem nada disso - mas se eu estivesse naquele elevador, diante dos fatos, teria abandonado meu ceticismo logo após a primeira morte. Nenhum dos passageiros sequer imagina que possa haver algo sobrenatural acontecendo. O filme sugere que as pessoas em geral são céticas ignorantes e continuam "cegas" mesmo diante de fortes evidências. Ou pelo menos os americanos (lógico, se você fala espanhol você tem mais contato com o lado de lá).

O filme é totalmente Shyamalan (que escreveu a história e produziu o filme - mas não dirigiu) tanto nos pontos positivos (o "set up" é ótimo) quanto nos negativos (o desenvolvimento é fraco). Aqui ele se coloca em 2 armaduras simultaneamente - primeiro situando a ação num lugar absolutamente restrito onde pouca coisa acontece (Hitchcock fez um filme ótimo que se passa inteiro dentro de um bote com 9 pessoas - mas ele tinha personagens e diálogos de primeira) e depois criando um vilão abstrato que não pode ser visto nem vencido (o mesmo problema de Fim dos Tempos). Os personagens são apenas vítimas incapazes que não têm o que fazer ou planejar.

Ainda assim, é um prazer ver um filme tão bem realizado, com ótima fotografia, trilha sonora, e que pelo menos parte de uma sinopse divertida.

Demônio
Devil (EUA, 2010, John Erick Dowdle)

Orçamento: ?
Bilheteria atual: US$ 50 milhões
Nota do público (IMDb): 6.6
Nota da crítica (Metacritic): 4.5
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de Atividade Paranormal, Quarto do Pânico, 1408, Identidade.

NOTA: 7.0

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Jogos Mortais - O Final


Já tinha aturado 6, ia parar agora no último? Deixei de me irritar com a série, com o fato da trama ser ininteligível, de não me lembrar do que aconteceu, quem morreu, quem sobreviveu ao episódio anterior, da produção ter aspecto de série de TV... É tudo tão assumidamente "B", sem qualquer pretensão, que a melhor coisa é se acomodar na poltrona e relaxar. Continuo gostando das cenas de morte, tão exageradas e criativas que deixam até de ser violência. Em 3D agora, só aumenta a graça (nem todo mundo enxerga esses filmes como comédias, mas dê uma olhadinha no trailer...).

Algumas coisas ainda são difíceis de engolir... Pegue o assassino por exemplo - que vilão razoavelmente sério teria tempo e paciência de produzir um robô daqueles, vesti-lo com um terninho feito sob medida (imagine a cena), colocá-lo sobre um triciclo, gravar fitas com voz de tarado, escrever instruções na parede - com o detalhe das fontes serem estilizadas, em vermelho, feitas por profissionais..? Isso dá trabalho! Custa caro! Sem falar nas armadilhas em si - quantos engenheiros pra projetar aquilo tudo? Outra coisa engraçada é que as vítimas têm uma tolerância impressionante pra dor. Eu se me corto com uma faca de pão já fico meio tonto, cai a pressão... Tem gente que desmaia só de medo... Mas as vítimas aqui são ótimas... Sai braço, sai perna... É só gritar que está convincente (tem uma que continua gritando mesmo após ter claramente perdido as cordas vocais!).

Ah, e o absurdo da última sequência. SPOILERS! O protagonista é instruído pela gravação a enfiar 2 ganchos nos músculos do peitoral pra ser erguido até o teto, onde ele poderá pegar uns cabos e salvar a esposa. Eh... Se as armadilhas são automáticas (não estão sendo operadas ao vivo por Jigsaw) por que ele não enfiou os ganchos na calça jeans?

Ou seja, é tudo muito absurdo, vamos torcer pelo menos pros produtores manterem a palavra e não nos surpreenderem ano que vem com um "Jogos Mortais 0 - Como Tudo Começou".

Jogos Mortais - O Final
Saw 3D (CAN/EUA, 2010, Kevin Greutert)

Orçamento: US$ 20 milhões
Bilheteria atual: US$ 102 milhões
Nota do público (IMDb): 5.9
Nota da crítica (Metacritic): 2.3
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Irrelevante.

NOTA: 5.5

Scott Pilgrim Contra o Mundo


Foi baseado numa história em quadrinhos sobre um loser (mais um - este pelo menos tem certa cara de pau e se dá bem com as meninas) que tem uma banda de rock amadora e tem que enfrentar os 7 ex-namorados "do mal" da garota com quem está saindo antes de poderem namorar oficialmente. As imagens são super estilizadas, usando toda a linguagem visual dos quadrinhos e também dos vídeo games. Na verdade muito mais dos vídeo games, o que me deixou um pouco confuso (o que uma coisa tem a ver com a outra?). Os 7 "ex" por exemplo surgem todos como vilões em lutas à la Street Fighter. As zilhões de referências a games já começam na abertura da Universal, aliás uma das mais divertidas que eu já vi:



Sem dúvida foi feito pra virar cult (o diretor Edgar Wright, de Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso, chamou Quentin Tarantino pra palpitar na produção). É um desses filmes cheios de ornamentos desnecessários e divertidos, que não deixam 5 segundos passar sem que algo diferente aconteça - uma catch phrase, um efeito gráfico, uma referência pop. Um freak na sala que eu assisti o filme já tinha decorado as falas e gritou a plenos pulmões "We are the Sex Bob-omb" - o grito de guerra da banda - logo no início do filme, me deixando um pouco assustado.

Tanto esforço e trabalho investidos em estilo - só lamento que o romance, que é o centro da história, seja tão bobinho e mal explorado, até mesmo pros padrões de uma comédia teen (a menina por quem ele se interessa tem como o principal traço de personalidade o fato de mudar o cabelo de cor a cada 15 dias). Ainda assim, o filme é divertido e entusiasmado. Pilgrim é feito por Michael Cera (de Superbad) e tem também uma participação simpática de Kieran Culkin como o roommate gay de Scott.

Scott Pilgrim Contra o Mundo
Scott Pilgrim vs. the World (EUA/ING/CAN, 2010, Edgar Wright)

Orçamento: US$ 60 milhões
Bilheteria atual: US$ 46 milhões
Nota do público (IMDb): 8.0
Nota da crítica (Metacritic): 6.9
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de Kick-Ass, 500 Dias Com Ela, Superbad, Hora de Voltar, Alta Fidelidade.

NOTA: 6.5

domingo, 21 de novembro de 2010

A Rede Social


Este é o filme sobre Mark Zuckerberg, criador do Facebook, que aos 24 anos foi listado pela Forbes o mais jovem bilionário do mundo. O filme foi dirigido por David Fincher (Seven, Clube da Luta, O Curioso Caso de Bejamin Button) e por enquanto é o mais aclamado do ano, devendo dominar as indicações ao Oscar no começo de 2011.

Quem interpreta Zuckerberg é Jesse Eisenberg, que esteve em A Lula e a Baleia, estrelou Zumbilândia, Férias Frustradas de Verão e apareceu recentemente em O Solteirão ao lado de Michael Douglas. Também no elenco está Justin Timberlake como o criador do Napster (muito bem aliás) e Andrew Garfield (o próximo Homem-Aranha) como Eduardo Saverin, o brasileiro co-fundador do Facebook que era colega de quarto de Zuckerberg. Saverin nasceu no Brasil mas mudou para os EUA aos 6 anos de idade - conheceu Zuckerberg em Harvard onde estudou economia. Boa parte do roteiro é sobre a amizade deles, que se transforma em guerra judicial depois que o Facebook vira um fenômeno.

A melhor coisa do filme no fundo é o fato dele ser sobre o Facebook - uma história de sucesso tão absoluta, tão "agora", sobre algo que faz parte das nossas vidas - e principalmente pelo fato do site ter sido criado por um garoto jovem, "comum" (não fosse por sua inteligência extraordinária). Se o Facebook tivesse sido criado por um grupo de empresários, ou por uma grande corporação, o filme não teria o apelo que tem, não inspiraria o mesmo senso de conquista.

Mas A Rede Social não é essa perfeição toda que estão falando. O roteiro é fraco - basicamente feito de diálogos, sem nenhum esforço pra tornar o material mais cinematográfico. A direção de Fincher serve mais para ilustrar esses diálogos com imagens bonitas (ele é ótimo diretor e tem o estilo mais contemporâneo e elegante de todos os diretores - mas apesar da bela roupagem, o filme continua sendo "fotografias de pessoas conversando").

Alguns diálogos são brilhantes, como o da cena inicial onde Mark leva um fora da namorada. Mas não há grandes aprofundamentos psicológicos, reflexões sobre a sociedade, tecnologia (como sugeria o trailer). A sacada é a de que no fundo Zuckerberg inventou o maior site de relacionamentos do mundo pra impressionar uma garota - e no fim continua solitário, sem compreender os próprios sentimentos, sem saber o que fazer pra "ser gostado" (o filme vem sendo comparado a Cidadão Kane nesse aspecto).

Ele funciona mais por sua intenção, por seu espírito de descoberta, por captar o zeitgeist, não tanto por seus méritos artísticos. Não porque é sobre a maior invenção de todos os tempos (o Orkut mesmo surgiu alguns meses antes do Facebook, em Janeiro de 2004), mas por retratar uma história verdadeira de persistência e sucesso - de alguém que não simplesmente ganhou um monte de dinheiro, ou ficou famoso, mas que criou algo valioso, importante, e que fez por capacidade própria, sendo visionário, tendo as ferramentas necessárias pra colocar seu plano em prática. Sim, Zuckerberg agiu de maneira suspeita em alguns momentos e ganhou alguns inimigos - mas vejo ele como uma mãe protetora; não medindo esforços pra proteger seu único bebê de possíveis predadores.

A Rede Social
The Social Network (EUA, 2010, David Fincher)

Orçamento: US$ 50 milhões
Bilheteria atual: US$ 174 milhões
Nota do público (IMDb): 8.3
Nota da crítica (Metacritic): 9.5
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, Zodíaco, O Aviador, Prenda-Me Se for Capaz.

NOTA: 7.5

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Red - Aposentados e Perigosos


A premissa é divertida: veteranos aposentados da CIA se tornam alvo da própria agência por saberem demais - agora eles têm que voltar à ativa e unir forças para escaparem dos assassinos. Eles são chamados de RED - uma sigla para "Aposentados Extremamente Perigosos". O elenco é a grande isca da produção: Bruce Willis, Morgan Freeman, John Malkovich, Helen Mirren, Mary-Louise Parker, Richard Dreyfuss, Ernest Borgnine, entre outros (dá pra traçar um paralelo com Os Mercenários, que também tinha um elenco espetacular e era sobre assassinos de idade mais avantajada).

Foi dirigido pelo alemão Robert Schwentke de Plano de Vôo e é mais um desses thrillers que misturam ação com comédia, como os recentes Esquadrão Classe A ou Encontro Explosivo. Mas a única graça mesmo do filme se resume na imagem da Helen Mirren segurando uma metralhadora - uma piada que nem é tão bem explorada e já foi gasta no trailer.

Tenho uma mania de achar sempre mau sinal quando um filme começa e os créditos iniciais continuam sobre as primeiras cenas, enquanto diálogos de apresentação estão acontecendo. Pra mim é sempre um toque de descaso e um sinal de que não é pro espectador prestar muita atenção na história - como se o filme estivesse anunciando que ele não pretende ser grande coisa. Aqui não foi diferente. É tudo simpatiquinho, morninho... Nem muito engraçado, nem muito inteligente, nem muito original, nem muito ousado, nem muito violento... O roteiro até tinha potencial, mas a direção põe panos quentes em tudo e qualquer tentativa de apimentar as coisas, de fazer uma piada mais ousada, é amenizada por uma música "descontraída" ou uma expressão de deboche, como alguém que ri da própria piada. É uma distração leve sem grandes pretensões, mas com um elenco desse acaba sendo uma experiência frustrante.

Red - Aposentados e Perigosos
Red (EUA, 2010, Robert Schwentke)

Orçamento: US$ 58 milhões
Bilheteria atual: US$ 120 milhões
Nota do público (IMDb): 7.2
Nota da crítica (Metacritic): 6.1
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de Salt, Sr. e Sra. Smith, Vida Bandida.
NOTA: 5.5

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1


Vendo o filme fica óbvio que não havia motivo para dividir este último Harry Potter em 2 filmes - a não ser pela oportunidade de dobrar o faturamento. "Claro, por que ganhar 1 bilhão se você pode ganhar 2? As pessoas irão ver o filme de qualquer jeito! Não importa se a primeira parte vai ser um tédio mortal e não terá desfecho, clímax... As pessoas vão entender... Afinal o livro é muito comprido". ...E o Vento Levou foi adaptado para o cinema em 1 única obra prima de 4 horas; tenho certeza que o 7º volume de uma série infanto-juvenil não precisaria de mais que isso. "Ah, mas ficaria muito longo - as crianças não aguentariam". Uma criança saudável não aguentaria os 15 primeiros minutos desse filme.

Não há nada de ruim no filme, é mais a ausência de coisas boas. O que mais me impressiona nessas sagas da última década (Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Crepúsculo) é a mediocridade dos heróis. Não sei se eles já eram assim nos livros, mas nos filmes eles são todos pessoas absolutamente ordinárias, desinteressantes, que você não iria querer conhecer na vida real. O que há de grandioso em Harry Potter? Outros personagens parecem admirá-lo, estão sempre falando como ele é "especial", que ele é o escolhido - mas nós nunca vemos ele dizer ou fazer qualquer coisa minimamente impressionante. Nem mesmo nas partidas de quadribol dos outros filmes era possível observar qualquer habilidade especial em Potter.

O filme é sobre um grupo de pessoas desinteressantes indo atrás de coisas que a gente não se importa, trombando com personagens que a gente não se lembra, se assustando com coisas que não assustam, se impressionando com coisas que não impressionam, sofrendo por coisas que não são tristes, por um motivo que já esquecemos.

Dizem que o livro é bom - mas acho suspeito que na adaptação as únicas coisas de algum valor não sejam os diálogos, história, personagens - e sim fotografia, maquiagem, direção de arte e efeitos especiais - tudo aquilo que certamente não veio do livro.

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1
Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1 (EUA/ING, 2010, David Yates)

Orçamento: ?
Bilheteria atual: ?
Nota do público (IMDb): 8.4
Nota da crítica (Metacritic): 6.9
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Não é necessária.

NOTA: 5.0

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Jackass 3D


Alguns críticos tentam detonar a série Jackass por seu humor infantil, grosseiro, apelativo... Antes de mais nada, é bom lembrar que Jackass não é um filme. Nem tudo que dura 1 hora e meia e é projetado numa sala escura é necessariamente cinema - assim como nem tudo que se pendura numa parede é necessariamente um quadro. Qualquer crítica à "futilidade" de Jackass é irrelevante. O filme é apenas uma compilação de videocassetadas auto-induzidas - e deve ser avaliado nesses termos.

Então, o que há de engraçado num homem levando um coice no saco? Ou bebendo um coquetel de suor? Nada - a graça é que (1) eles aturam - (2) eles fazem por vontade própria - (3) eles riem. Se após uma pancada algum dos atores (1) se machucasse de verdade (se a câmera o acompanhasse até o hospital, onde descobriríamos por exemplo que ele ficou parcialmente cego de um olho) o filme se tornaria repulsivo e perderia toda a razão de existir. O mesmo aconteceria se (2) as brincadeiras fossem forçadas em pessoas inocentes, que não fizessem parte da equipe (as poucas que são com pessoas inocentes não são "videocassetadas", e sim "pegadinhas", o que é algo diferente). E o mesmo aconteceria se (3) eles fizessem tudo sem se divertir, obrigados pela produção.

Jackass é documentário, mas funciona também como uma fantasia escapista (algumas das brincadeiras são obviamente armadas), e nós saímos da sala acreditando que a vida é uma brincadeira e que nós somos indestrutíveis - que não existem limites pro corpo humano e temos muito mais força do que imaginamos.

Jackass 3D (EUA, 2010, Jeff Tremaine)

Orçamento: US$ 20 milhões
Bilheteria atual: US$ 146 milhões
Nota do público (IMDb): 7.3
Nota da crítica (Metacritic): 5.6
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de À Prova de Morte, Piranha 3D, O Albergue, Borat, Brüno e dos outros Jackass.

NOTA: 7.5