quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Lula, o Filho do Brasil


Me senti obrigado a conferir, até por causa da polêmica - os críticos todos acham que se trata de uma manobra eleitoral; alguns chegam a citar Hitler e Mussolini em suas críticas!

O filme é de fato um pouco pior do que eu esperava. A intenção aparentemente era repetir o sucesso de 2 Filhos de Francisco, seguindo a fórmula à risca. A produção é bem feita (a trilha me impressionou), mas o roteiro não é nem de longe tão bom. Até porque há muito mais detalhes e fatos importantes na história de Lula que os cineastas não puderam (ou não ousaram) deixar de fora. Num filme desse tipo há sempre 2 opções. 1) Contar a história inteira com todos os detalhes importantes, resultando num filme de 4 horas. 2) Fazer um filme de duração normal, mas focando nos acontecimentos mais relevantes e eliminando por completo o resto. O filme opta por uma terceira - um filme de duração normal e que conta toda a história.

A característica inevitável dessa abordagem é a superficialidade. Fica tudo com cara de flashback, de trailer. Pegue a cena em que morre a primeira esposa de Lula (Cléo Pires). Lula chora e enquanto isso o filme mostra flashes de uma cena anterior, onde os 2 corriam felizes no meio de lençóis num varal. Mas a sensação não é de nostalgia, de saudade, pois a cena do varal tinha acontecido alguns poucos minutos antes! E ela em si já tinha sido rápida e superficial, com cara de flashback.


O filme é mais uma aula de história (mesmo que imprecisa) do que cinema - se limita a ilustrar fatos concretos. "Lula nasce". "Lula conhece o pai". "Lula se casa". "Lula perde a esposa". "Lula entra para o sindicato". E por aí vai, sem nenhum aprofundamento nas cenas. E nem nas idéias. Ouvimos Lula dizer frases do tipo "Trabalhador não é de esquerda nem de direita - antes de tudo nós temos uma família pra alimentar!". Mas de que FORMA o trabalhador espera alimentar sua família? Pelos seus próprios méritos e esforços? Ou o governo tem algum tipo de obrigação nesse sentido? O filme não entra em discussões políticas. Nem revela nada de interessante num nível psicológico.

Como foi a educação de Lula? Por que ele se tornou alguém tão notável? Pelo filme, concluo que por 2 motivos. A morte de sua esposa e filho, que fez com que ele entrasse pra política "pra ocupar a cabeça". E pelos conselhos de sua mãe (Glória Pires), que dizia pra ele coisas do tipo "Se tiver certeza, vai lá e faz. Se não, espera." ou então "Teima - é só teimar". Esse é o máximo de psicologia que o filme nos dá.


Agora, a seleção ao Oscar foi manipulada? Vai saber. O filme seria digno de uma indicação? Não, mas não muito menos que Olga ou O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. E também não vi nada esse ano que fosse uma alternativa muito melhor. O problema é que o Brasil sempre achou que pra ser aceito no Oscar é preciso mandar filmes que se pareçam com os deles. Nesse aspecto, é natural a seleção de Lula. Só que eles estão enganados, pois é justamente na categoria de Filme Estrangeiro que se destacam os filmes de arte, de "autor", e que a academia quer fugir do convencional. E depois, porque nossos filmes "americanos" não são tão bons quanto os deles.

(BRA, 2010, Fábio Barreto)

Assista o trailer.

INDICADO PARA: Admiradores de Lula.

NOTA: 5.5

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme


Oliver Stone não quis colocar o "2" ao lado do título pois queria que o filme fosse visto não apenas como uma sequência, mas também como uma história independente. Fez bem, afinal 23 anos após o lançamento do primeiro Wall Street seria exigir demais da memória das pessoas (eu mesmo lembro vagamente do original).

Como o poster, o filme é elegante, tradicional, e fala sobre dinheiro, poder, ganância, corrupção, vingança, tudo passado nesse mundo da bolsa de valores no início da atual crise econômica dos EUA. Eu entendo muito pouco de economia e nunca me interessei pelo assunto, mas acho que o filme é bem sucedido em tornar as coisas fascinantes pra quem não entende nada. Se eu saí da sala mais interessado em finanças do que entrei (ainda que não muito mais informado) o filme já fez muita coisa.

A produção é de primeira e o elenco também (Michael Douglas está ótimo, reprisando o papel que lhe deu o Oscar, e Shia LaBeouf é carismático e traz uma leveza necessária pra trama). O filme é melhor do que eu esperava - na verdade o pior de tudo é o próprio Oliver Stone e suas afetações de diretor famoso. Pra ele, parece que "estilo" significa fazer algo completamente desnecessário e pretensioso com a câmera (ou com a montagem), só pra passar a sensação de que há um "autor" por trás filme, mas no fim isso só serve pra mostrar que seu ego está acima do trabalho.


Não li isso em nenhum lugar, mas continuo com a impressão de que Stone foi comprado pelo governo americano e que ele está produzindo filmes sob encomenda pra fazer algum tipo de lavagem cerebral na população. Primeiro veio World Trade Center - um filme inexplicavelmente ruim sobre o 11 de Setembro, feito muito antes do que seria o momento apropriado, e que mostra apenas do drama pessoal dos bombeiros, tirando o foco das conspirações e questões políticas mais controversas. Depois veio W. - um filme medíocre sobre George W. Bush, feito inexplicavelmente ANTES que terminasse o mandato dele, e que focava na relação difícil dele com o pai, deixando de lado as coisas mais podres. Agora na sequência vem esse filme "inspirador" sobre a crise econômica. Muito suspeito né? E os 3 filmes começam com "W"...

Wall Street: Money Never Sleeps (EUA, 2010, Oliver Stone)

Orçamento: US$ 50 milhões

Bilheteria atual: US$ 28 milhões
(acabou de estrear em 1º lugar nos EUA)
Nota do público (IMDb): 6.9

Nota da crítica (Metacritic): 5.9

Assista o trailer


INDICADO PARA: Quem gostou do original, O Senhor das Armas, Em Boa Companhia, A Cor do Dinheiro, O Advogado do Diabo, etc.

NOTA: 7.0

domingo, 26 de setembro de 2010

Gente Grande


Adam Sandler escreveu esta comédia e pretendia lançá-la no meio dos anos 90 com o ator Chris Farley no papel que ficou pra Kevin James. Com a morte trágica de Farley, a produção foi engavetada por mais de uma década. A história: 5 amigos de infância se reúnem depois de adultos (trazendo junto suas famílias) pra um fim de semana numa antiga casa de campo à beira de um lago. O motivo: jogar as cinzas do ex-treinador de basquete deles, que foi uma figura importante e uma espécie de mentor na infância.

Na saída do cinema, um amigo reclamou que não tinham conflitos no filme. Primeiro pensei - será que é mesmo necessário haver conflitos, no sentido dramatúrgico da coisa, numa comédia besteirol desse tipo? Ele mencionou Esqueceram de Mim, como exemplo de uma comédia que tem conflitos bem claros. Correto. Mas pra fazer um paralelo, este filme me lembra mais de Férias Frustradas. Em Férias Frustradas (que eu considero um dos melhores do gênero), a família quer apenas viajar e se divertir. Não há nenhum conflito básico na história. O "conflito" é que tudo vai dando errado. Aqui também. Eles querem apenas "sobreviver" ao feriado. A motivação dos personagens é a diversão. O "conflito" são os acidentes.


Mas depois me dei conta de que há sim um conflito básico na história - um pouco mais sutil e abstrato. Fica evidente logo no início do filme, quando Sandler se dá conta que seus filhos viraram monstrinhos mimados e neuróticos. Numa cena, um dos garotos pede chocolate quente "Godiva" para a empregada via mensagem de texto, pra não ter que interromper o video game (desses jogos que você sai metralhando as pessoas na rua). Eles perderam qualquer contato com o que Sandler costumava chamar de diversão em seu tempo de criança. Ou seja, a viagem se torna uma oportunidade pra Sandler resgatar os filhos de seus iPhones e mostrar como é que se fazia nos "bons e velhos tempos". Aí está o conflito, tão válido quanto qualquer outro.

O que não quer dizer que o filme seja uma obra-prima. Longe disso. Mas não há nenhum "defeito" essencial na história. Além disso, comédias têm que ser julgadas em termos de comédias, e as risadas são o maior critério. Meu amigo Rubens Ewald Filho falou mal do filme - concordo com ele no que diz respeito às piadas com pessoas idosas, que são de puro mau gosto. Mas ele diz em sua crítica "tudo seria perdoado se o filme fosse mais engraçado". Bem, qual a definição de "engraçado"? Pro meu senso de humor, o filme foi sim "engraçado" e, sob o mesmo critério, perdoei o resto.

Grown Ups (EUA, 2010, Dennis Dugan)

Orçamento: US$ 80 milhões
Bilheteria atual: US$ 250 milhões

Nota do público (IMDb): 5.8

Nota da crítica (Metacritic): 3.0

Assista o trailer

INDICADO PARA: Quem gostou de Motoqueiros Selvagens, Entrando Numa Fria, Se Beber, Não Case, Como Se Fosse a Primeira Vez, etc.

NOTA: 7.0

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Extrato do cartão

Olha que engraçado, dá a impressão de que eu só como, vou ao cinema, vou pra balada e abasteço o carro:

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Resident Evil 4: Recomeço


Metralhadoras, óculos escuros, sobretudos pretos, pessoas correndo pelas paredes, desviando de balas em câmera lenta... Quem diria, quando saiu Matrix, que 11 anos depois isso ainda estaria na moda.

Vi o primeiro Resident Evil, que achei muito ruim, pulei o segundo, e vi o terceiro, que achei bem melhor que o original. Este 4º volta a ser dirigido por Paul W. S. Anderson (marido de Milla Jovovich, o mesmo do primeiro filme) e volta também à sua ruindade original.

O filme começa numa Los Angeles pós-apocalíptica... Milla Jovovich sobrevoa a cidade num monomotor com uma garota que ela acabou de capturar. A cidade está deserta. De repente, ela localiza um grande edifício cercado por milhares e milhares de zumbis famintos e assassinos. No topo deste edifício, alguns sobreviventes humanos gritam por socorro. Numa manobra que poderia custar sua vida, Milla pousa o avião no topo do prédio (que se choca de frente contra uma mureta, deixando a hélice milagrosamente intacta). Por que ela pousou ali? Estava sem combustível? Não. Havia água e comida no prédio? Não. Sua família estava lá? Não. Ela podia salvar todo mundo? Bem, era bastante óbvio que não daria pra levar todo mundo no monomotor. Embora ela tenha conseguido POUSAR a aeronave naquele espaço curto, seria sensato concluir que seria impossível decolar dali. Foi nesse ponto, logo no início, que eu perdi qualquer interesse no filme. Como vou simpatizar com alguém que se coloca numa situação de risco sem propósito algum? Se ela tivesse simplesmente seguido em frente com o avião e procurado uma ajuda apropriada, ela estaria a salvo e o filme inteiro não precisaria ter existido! Uma das principais regras do roteirista: o conflito precisa parecer INEVITÁVEL pro personagem (por exemplo, se o filho de Milla estivesse no prédio, a história seria convincente).

Bem, já que estamos no tema video games, vou postar aqui o link de um texto brilhante do Roger Ebert (em inglês) que explica por que video games não são arte. Recomendo também o vídeo da Kellee Santiago no final do texto. Ela afirma justamente o contrário; que video games são sim uma nova forma de arte: Roger Ebert - Video games can never be art

Resident Evil: Afterlife (ING/ALE/EUA, 2010, Paul W. S. Anderson)

Orçamento: US$ 60 milhões
Bilheteria atual: US$ 147 milhões
Nota do público (IMDb): 6.7
Nota da crítica (Metacritic): 3.7

INDICADO PARA: Quem gostou dos outros 3, Terror em Silent Hill, da série Underworld, Alien vs. Predador, etc.

NOTA: 4.0

Monty Python's Not the Messiah - Ao Vivo em Londres


Com o sucesso de Spamalot na Broadway (versão musical de Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado), Eric Idle resolveu pegar outro filme clássico dos Python, A Vida de Brian, e dar um tratamento similar. A idéia é excelente: um oratório chamado Not the Messiah ("Não É o Messias" - uma brincadeira com O Messias de Georg Friedrich Händel, só que em vez de Jesus, contando a história do vizinho Brian, que é confundido com ele e passa pelas mesmas situações). Um oratório, pra quem não sabe, é uma espécie de ópera, só que sem encenação. Apenas a música (com orquestra, coral e toda a pompa) e a narrativa.

Que oportunidade incrível pra Idle, ter o Royal Albert Hall e centenas de músicos à disposição pra fazer qualquer absurdo que lhe venha à cabeça. Eu certamente nunca vi nada parecido destinado ao humor. O único problema é: não é engraçado! As letras são fracas, praticamente não há idéias originais, as piadas são as mesmas do filme... O resultado soa tímido, a anos-luz de distância da ousadia e da criatividade dos trabalhos antigos do grupo. Parece que Idle ficou preso entre a obrigação de ser engraçado e a vontade de fazer algo realmente grandioso, bonito, admirável, o que é exatamente a antítese do humor.

O projeto foi concebido por Eric Idle e tem participações especiais de Terry Gilliam, Terry Jones, Michael Palin e Carol Cleveland (Graham Chapman já morreu e John Cleese, talvez o mais esperto deles, não quis participar). Sempre tive a impressão de que nenhum dos Python individualmente era um grande gênio da comédia. O gênio eram os 6 pensando juntos.

Not the Messiah: He's a Very Naughty Boy (ING, 2010, Aubrey Powell)

INDICADO PARA: Apenas fãs de Monty Python curiosos.

NOTA: 4.0

sábado, 18 de setembro de 2010

Coincidências do Amor


Romance leve sobre um homem (Jason Bateman) que descobre que é pai do filho de 7 anos da sua melhor amiga (Jennifer Aniston - no dia da inseminação ele estava bêbado e acabou acidentalmente trocando o conteúdo do frasco!). 2 histórias caminham ao mesmo tempo; a primeira é sobre a amizade de Bateman e Aniston que vai se transformando em "algo mais". A segunda é sobre Bateman convivendo com o garoto, que é o próprio filho (ou não, afinal ambos os pais tem olhos azuis e o menino não!). Essa funciona muito bem (o garotinho é uma graça; um dos personagens infantis mais memoráveis dos últimos tempos), já a parte do romance é um fracasso.

Na essência da história está a idéia batida de que "o amor pode estar ao seu lado". Mas a situação seria mais convincente se eles não fossem tão próximos. Talvez se fossem amigos recentes, ou então conhecidos antigos que passam a se conhecer melhor. Um homem e uma mulher que são MELHORES amigos há mais de 10 anos e que nunca tiveram NADA jamais irão se apaixonar magicamente (fica até difícil embarcar na história). Até porque a química entre Aniston e Bateman é fraca; duvido que alguém na platéia estivesse torcendo muito pra eles ficarem juntos. Eu fiquei pensando: ou eles são muito retardados, pois em 10 anos de convivência íntima não perceberam que se gostavam, ou então são muito preguiçosos... "ah, já que não tem ninguém melhor vai você mesmo". Nenhuma das opções favorece muito o filme.

Ainda bem que a história não é só isso e que as cenas com o garoto fazem valer o ingresso (essa parte lembra um pouco Kramer vs. Kramer). Outro ponto positivo do filme é o elenco coadjuvante - Juliette Lewis, além de ser boa em comédia, teve a sorte de nascer com cara de louca e garante algumas risadas. E tem também Jeff Goldblum (de Jurassic Park e Independence Day) que é um astro de primeira e não sei por que não faz mais filmes. Acho que é um caso meio Whoopi Goldberg / Philip Seymour Hoffman - famoso demais pra aceitar papéis pequenos, característico demais pra conseguir papéis principais.

The Switch (EUA, 2010, Josh Gordon / Will Speck)

Orçamento: US$ 19 milhões

Bilheteria atual: US$ 34 milhões

Nota do público (IMDb): 5.9

Nota da crítica (Metacritic): 5.2


INDICADO PARA: Quem gostou de Três Vezes Amor, Sem Reservas, etc.

NOTA: 6.0

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Karate Kid


O título perdeu o sentido já que nesse remake o garoto aprende a lutar kung fu e não caratê. Por que será que mudaram? Porque kung fu está mais na moda? Provavelmente, afinal o filme tem toda uma preocupação em parecer contemporâneo, embora seja um filme absolutamente tradicional (na trilha sonora, ouve-se John Mayer, Justin Bieber, Lady Gaga, o que soa um pouco forçado). De qualquer forma, a mudança de caratê pra kung fu não incomoda pois a essência da história é a mesma.

Não lembro do original de 1984 com detalhes, mas deu pra perceber que não se trata de uma cópia, e sim de uma reinvenção do filme, conservando toda a espinha dorsal - as idéias principais, as cenas mais memoráveis, mas acrescentando elementos novos pra justificar a refilmagem. A principal novidade acho que é o próprio protagonista Jaden Smith, filho de Will Smith e Jada Pinkett Smith, que já nasceu ator e não há dúvidas de que será um astro (o filme, produzido pelos pais, certamente foi feito como um veículo para ele). Ele até faz um dueto com Justin Bieber na música tema. Gosto de Jackie Chan e acho que ele está adequado e contido no papel que foi de Pat Morita.

Não sou nenhum aficionado por filmes de esporte, mas confesso que choro em quase todos eles! É um ponto fraco meu. O filme é muito bem feito, com cara de produção antiga de estúdio (o que pra mim é um alívio; não aguento mais esse monte de filme querendo "revolucionar", diretores estreantes cheios de "novos" conceitos - saiba primeiro contar uma boa história, de apelo universal, à moda antiga, e depois vá fazer o que quiser). O filme se passa quase todo na China, o que acrescenta todo um valor turístico à produção (o visual é muito bonito - o fotógrafo é o mesmo de Fim de Caso e Chocolat, e mostra a China atual de uma maneira que eu ainda não tinha visto).

Embora previsível (como todo filme do gênero), a sequência final do torneio é muito bem planejada e o clímax funciona. As cenas de luta são bem coreogradas e registradas, entre as melhores que eu já vi - vamos torcer pra Shyamalan assistir a este filme antes que ele resolva fazer uma sequência pra O Último Mestre do Ar.

The Karate Kid (EUA, 2010, Harald Zwart)

Orçamento: US$ 40 milhões
Bilheteria atual: US$ 345 milhões
Nota do público (IMDb): 6.1
Nota da crítica (Metacritic): 6.1

INDICADO PARA: Quem gostou do original, Rocky - Um Lutador, Seabiscuit - Alma de Herói, À Procura da Felicidade, etc.

NOTA: 7.5

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Amor à Distância


Um filme agradável, mas desses que você assiste e tem certeza de que em 6 meses terá esquecido completamente. Mas vi com prazer por causa de Drew Barrymore e Justin Long (que já namoraram na vida real, separaram, voltaram, e acho que ninguém sabe mais o que acontece). É muito raro eu ir ao cinema por causa de atores; não vou ver um filme do Tom Hanks, por exemplo, por causa do Tom Hanks, e sim porque no geral ele faz bons filmes. Por outro lado, Justin e Drew são 2 pessoas que eu acho encantadoras, e vê-los na tela pra mim já é um fim em si mesmo. Não porque o roteiro foi bem escrito ou porque eles interpretam maravilhosamente bem, mas porque eu simplesmente tenho empatia por eles (especialmente quando eles estão sendo eles mesmos - se eles estivessem num policial ou num western interpretando personagens totalmente fictícios, daí dependeria do filme).

A história é praticamente inexistente - os dois se conhecem num bar, se apaixonam, mas ela trabalha em São Francisco e ele em Nova York. O conflito é puramente prático e físico, por isso não tem muita força. Não há dúvida que eles se gostam, que querem ficar juntos, que foram feitos um para o outro. Mas como não se pode fazer um filme inteiro sobre um casal feliz, apenas aproveitando a vida, curtindo o romance, o roteirista tem que arrumar um conflito. E em vez de um obstáculo mais interessante, psicológico, moral ou sei lá o que, fica essa briguinha boba sobre quem deve se mudar pra qual cidade, quem deve largar o emprego, etc. Boring! Nunca me interessei por filmes que falam de complicações de relacionamentos (outra coisa que me incomodou foram algumas cenas de sexo e consumo de drogas - coisas que pra mim não cabem em filmes desse tipo). Como comédia romântica, o filme cumpre melhor a parte "comédia" do que a parte "romântica" - quem faz a irmã de Drew é Christina Applegate (do antigo seriado Um Amor de Família), que pra mim é uma das atrizes mais divertidas do cinema (e uma das raras comediantes bonitas).

Voltando a Justin e Drew, eles revelam no filme que Top Gun é o filme favorito dele, e Um Sonho de Liberdade é o favorito dela. Será que é verdade? Por outro lado, quando discutem música os dois parecem mais ligados em rock e bandas alternativas. Na vida real eu vejo muito disso e fico intrigado - gostos completamente distintos e conflitantes entre cinema e música. Qual será que revela mais sobre a pessoa?

Going the Distance (EUA, 2010, Nanette Burstein)

Orçamento: US$ 32 milhões
Bilheteria atual: US$ 14 milhões
Nota do público (IMDb): 6.4
Nota da crítica (Metacritic): 5.1

INDICADO PARA: Quem gostou de Ele Não Está Tão a Fim de Você, 500 Dias com Ela, Separados pelo Casamento (embora este seja mais fraco).

NOTA: 6.0

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Nosso Lar


Não sou espírita nem vou ficar discutindo religião aqui. E mesmo se descobrissem que Chico Xavier era esquizofrênico e tirou tudo da própria imaginação, isso não iria interferir nos méritos do filme, que deveria ter regras e necessidades independentes. Eu não acredito em OVNIs mas adoro Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Não acredito em espíritos mas adoro Poltergeist. Não acredito em viagem no tempo mas adoro De Volta para o Futuro. Não acredito na Bíblia e NÃO gostei de A Paixão de Cristo. ACREDITO em cachorros mas não gostei de Marley & Eu. Ou seja, gostar ou não de um filme nada tem a ver com acreditar nas coisas que ele mostra.

Dito isso, Nosso Lar não chega a ser grande coisa como cinema, embora seja uma apresentação respeitável do espiritismo. Funciona mais como algo didático, ilustrativo, de interesse maior para aqueles que forem espíritas ou tiverem curiosidade no tema. A produção é ambiciosa, cheia de efeitos especiais, figurinos e cenários exóticos, etc... Mas isso não chega a acrescentar muito em termos de entretenimento para os não-espíritas, afinal brasileiro tem um mau gosto desgraçado pra essas coisas:

Ou seja, o filme é positivo, não faz mal a ninguém, mas não tem grandes méritos artísticos (gostei da trilha sonora do Phillip Glass, o compositor de As Horas). Pra quem acredita, será algo agradável sem dúvida, talvez até emocionante, que trará esperança, a noção de que o sofrimento é passageiro, de que o corpo é passageiro, de que a morte não é o fim, de que bens materiais são insignificantes, de que é necessário trabalhar, mesmo contra sua vontade (imagino que essas idéias todas devam ser muito reconfortantes pras pessoas, ainda mais para os doentes ou as de classes mais baixas, que provavelmente se revoltariam ainda mais se achassem que só existe essa única realidade). Para os outros, vale pra saber do que se trata.

(BRA, 2010, Wagner de Assis)

NOTA: 5.0

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os melhores musicais do cinema

Um dos meus gêneros favoritos e um dos menos prolíficos do cinema (pelo menos nas últimas décadas). Pra mim o musical (em especial o filme musical) é a forma mais completa e poderosa de entretenimento. E é também o tipo de filme mais complexo de se fazer, até por isso existem tão poucos (ou é feito direito ou não funciona, aqui não tem meio termo). Praticamente todos os meus filmes favoritos são musicais, até mesmo aqueles que não são (como 2001 ou E.T., que são narrados através de música).

(sem ordem de preferência)


Xanadu (1980)
Incrivelmente trash por um lado, mas único e fascinante por outro, até por causa da trilha sonora que gerou vários hits pra Olivia Newton-John, além da presença simpática de Gene Kelly e das coreografias de Kenny Ortega. Ganhou vários prêmios de pior filme do ano, da década, etc, então no mínimo vale pra dar umas boas risadas - mas eu gosto de verdade.




Os Sapatinhos Vermelhos (The Red Shoes, 1948)
Indicado mais para cinéfilos, este filme britânico da dupla Powell e Pressburger é uma obra de arte pouco conhecida pelo público e é uma das experiências visuais mais incríveis que eu já tive. A sequência do balé é um espetáculo mesmo 62 anos depois (veja um trecho aqui).





Rocky Horror Picture Show (The Rocky Horror Picture Show, 1975)
Este musical de rock poderia estar na lista das comédias, dos filmes de terror, das ficções... Rocky Horror é tudo isso junto. O filme está em cartaz desde 1975 nos cinemas (um recorde) e é exibido às meias-noites das Sextas em várias cidades dos EUA, numa experiência interativa onde as pessoas assistem o filme fantasiadas enquanto atores reproduzem as cenas ao vivo embaixo da tela. É o cult dos cults - eu já fui uma vez e virei fã.



Grease - Nos Tempos da Brilhantina (Grease, 1978)
Ficou um pouco datado, mas mesmo assim os atores estão brilhantes, a história é indiscutivelmente envolvente e as canções são geniais. Já era nostálgico ao retratar os anos 50 - agora é duplamente nostálgico pois reflete também os anos 70 e 80 quando ele foi feito.



O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939)
O filme de fantasia definitivo, até hoje muito presente na cultura popular (o musical da Broadway Wicked é um dos maiores sucessos de todos os tempos, a canção "Over the Rainbow" está em tudo que é lugar, frases do filme como "We're not in Kansas anymore..." são citadas a toda hora). Impressionante, considerando que o filme tem mais idade que a avó de muita gente.


 

Agora Seremos Felizes (Meet Me In St. Louis, 1948)
Judy Garland dá um show de carisma nesse musical do grande diretor Vincente Minnelli (Judy e Vincente se conheceram neste filme e logo depois se casaram, de onde surgiu Liza Minnelli). É um filme praticamente perfeito e tem sucessos como "The Trolley Song" e "Have Yourself a Merry Little Christmas".



Amor Sublime Amor (West Side Story, 1961)
A única coisa um pouco datada nesse filme são os vocais - hoje em dia com o American Idol como nosso padrão de qualidade, a voz (dublada) de Richard Beymer parece um pouco tímida. Mas isso é um pequeno detalhe dentro dessa obra-prima que é uma aula de música, fotografia e de direção de cinema, e que sem dúvida foi fonte de inspiração de muita gente inclusive de Michael Jackson que fez referências explícitas em clipes como Beat It, Bad ou The Way You Make Me Feel.



Cantando na Chuva (Singin' in the Rain, 1951)
Desafio qualquer pessoa a não gostar de Cantando na Chuva - é uma daquelas raríssimas coisas verdadeiramente universais e atemporais, e mostra melhor que qualquer outro filme toda a genialidade de Gene Kelly como dançarino e coreógrafo.





A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965)
Talvez meu filme favorito de todos os tempos - tem tudo aquilo que eu mais admiro em West Side Story em termos de perfeição estética (o diretor é o mesmo: Robert Wise), além de uma história ainda mais cativante e uma trilha sonora insuperável, onde canção criada por Rodgers e Hammerstein é um clássico.





OUTROS ÓTIMOS MUSICAIS:

- Rua 42 (42nd Street, 1933)
- O Picolino (Top Hat, 1935)
- Fantasia (1940)
- Sinfonia de Paris (An American in Paris, 1951)
Casa, Comida e Carinho (Summer Stock, 1950)
Os Contos de Hoffmann (The Tales of Hoffmann, 1951 - ópera)
- A Roda da Fortuna (The Band Wagon, 1953)
- Nasce uma Estrela (A Star is Born, 1954)
- Oklahoma! (1955)
- Gigi (1958)
- O Vendedor de Ilusões (The Music Man, 1962)
- Mary Poppins (1964)
- Os Reis do Iê, Iê, Iê (A Hard Day's Night, 1964)
- Minha Bela Dama (My Fair Lady, 1964)
- Funny Girl - A Garota Genial (Funny Girl, 1968)
- Alô, Dolly! (Hello, Dolly!, 1969)
- Jesus Cristo Superstar (Jesus Christ Superstar, 1973)
- Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever, 1977)
- O Fundo do Coração (One from the Heart, 1982)
- Flashdance (1983)
- Dirty Dancing (1987)
- O Rei Leão (The Lion King, 1994)

PÓS ANO 2000:

- Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000 - na verdade é um "anti-musical")
- Hedwig - Rock, Amor e Traição (Hedwig and the Angry Inch, 2001)
- Chicago (2002)
- High School Musical (a trilogia, 2006, 2007, 2008)
- Dreamgirls: Em Busca de um Sonho (Dreamgirls, 2006)
- Hairspray: Em Busca da Fama (2007)
- A Escolha Perfeita 1 e 2 (Pitch Perfect and Pitch Perfect 2 - 2012, 2015)
- Sing Street: Música e Sonho (Sing Street, 2016)
- A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 2017)

CONFIRA OUTRAS LISTAS:

Os melhores filmes de terror
Os melhores filmes de comédia
Os melhores filmes românticos
Os melhores filmes de ficção-científica
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Os melhores filmes de suspense
Os melhores musicais do cinema
Os melhores filmes cult
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