quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Tudo Pelo Poder


Novo filme produzido, dirigido, co-escrito e co-estrelado por George Clooney sobre os bastidores de uma campanha presidencial, onde um jovem consultor (Ryan Gosling) irá se deparar com o jogo sujo por trás da política.

"Passe a perna nos outros antes que passem a perna em você." "O moral não é prático." "Só os espertos sobrevivem." São essas mensagens que estão por trás do filme de maneira implícita. Eu não gosto desse tipo de história (do jovem idealista que fica "esperto" e aprende a jogar sujo), porém o filme é bem feito dentro de sua proposta e o resultado acaba sendo positivo.

O problema é que a situação em que Gosling se coloca não é lá tão extrema e inevitável a ponto de justificar suas atitudes. Se ele de fato cometeu um deslize durante a campanha, ele deveria ter aceitado as consequências e caído fora, ou no máximo tentado reconquistar a confiança de Clooney honestamente - e não sair por aí fazendo chantagens. No momento em que ele coloca o emprego acima da ética (sem ao menos tentar se explicar), nós perdemos a empatia por ele (bom, eu pelo menos perco). No fim das contas não fica parecendo tanto que a política é suja, mas sim que ELE foi moralmente duvidoso e contribuiu pra desonestidade toda.

Ou seja, acho as ideias aqui meio questionáveis, mas de qualquer forma o filme tem vários méritos; o elenco está ótimo, a trama se desenvolve de maneira envolvente, há reviravoltas interessante, a direção é simples porém eficaz... Achei melhor que Boa Noite e Boa Sorte (o filme está indicado a 4 Globos de Ouro incluindo Melhor Filme e Melhor Ator pra Gosling).

The Ides of March (EUA / 2011 / 101 min / George Clooney)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Conduta de Risco, Boa Noite e Boa Sorte, Segredos do Poder, Todos os Homens do Presidente.

NOTA: 7.0

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Missão Impossível - Protocolo Fantasma


Gosto da série Missão: Impossível, primeiro porque Ethan Hunt é um herói de ação de verdade - um homem atraente, habilidoso, confiante, de caráter impecável, lutando pelas causas certas - e não um desses protagonistas ambíguos que viraram tendência. Segundo porque é uma série que tem uma tradição de criar grandes cenas de ação; sequências sofisticadas, originais, tensas, bem coreografadas, etc. Ou seja, mesmo quando o resto do filme não é grande coisa, você sabe que no mínimo vai ver umas 2 ou 3 cenas realmente impressionantes.

Esse 4º episódio é provavelmente o melhor desde o primeiro. É moda hoje em dia os filmes de ação americanos se passarem em outros países - mas enquanto a maioria vai pra Europa ou pra America Latina atrás de ambientes mais "rústicos", Mi4 nos leva pra um dos poucos lugares que podem apresentar algo ainda mais avançado, moderno e grande-escala que nos EUA - Dubai. E o filme explora bem a locação, criando por exemplo uma perseguição durante uma tempestade de areia, além daquela que é a melhor cena do filme - Cruise escalando o Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo. Isso segue a tradição de Hitchcock, que gostava de integrar em suas tramas elementos simbólicos das regiões em que seus filmes se passavam (por exemplo, em Agente Secreto, que se passa na Suíça, ele coloca o esconderijo dos espiões dentro de uma fábrica de chocolate!).

E tiro o meu chapéu pra Tom Cruise, que aos 49 anos está espetacular e vem nos lembrar o quão raros são os verdadeiros astros de cinema. Ele pode ser meio excêntrico na vida pessoal, mas na tela não há ninguém igual. Sua carreira pra mim é a mais sólida, consistente e invejável dos atores em atividade; desde os anos 80 ele vem alternando entre blockbusters e filmes mais sérios, trabalhando com grandes cineastas como Kubrick, Spielberg, escalando prédios sem dublê (veja imagens dos bastidores de Mi4) com a mesma habilidade com que lê um texto perturbador num filme como Magnólia, sem em nenhum momento perder o porte de astro ou manchar seu currículo com filmes de segunda linha.

Mission: Impossible - Ghost Protocol (EUA / 2011 / 133 min / Brad Bird)

INDICAÇÃO: Quem gostou dos outros da série, de Cassino Royale, O Ultimato Bourne, etc.

NOTA: 7.5

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Margin Call: O Dia Antes do Fim


Com Kevin Spacey, Jeremy Irons e Demi Moore, o filme se passa num banco de investimentos durante os primeiros estágios da crise econômica de 2008, mostrando como deve ter sido a reação dos poderosos de Wall Street quando perceberam o desastre que estava por vir.

Eu entendo pouco de economia e fui ver o filme na esperança de compreender melhor as causas da crise (já vi documentários, mas nunca um filme dramatizando tudo na tela) - infelizmente este aqui não esclarece nada. O que se vê são apenas executivos olhando pra telas de computadores e fazendo cara de espanto. E toda vez que alguém se propõe a explicar o que está acontecendo, algum personagem intervém e diz "não seja técnico, fale de maneira simplificada" - e essa versão simplificada também não esclarece nada.

Ou seja, o conteúdo é completamente vago, os personagens são superficiais a ponto de você não se importar por nenhum deles, e cinematograficamente é o que há de mais chato - aquilo que Hitchcock chamaria de "fotografias de pessoas conversando". A única coisa um pouco mais elaborada - a cena final - é tão forçada e fora de contexto que você nem precisa ler o currículo do diretor/roteirista J.C. Chandor pra concluir que ele é estreante.

(Vale a pena citar que o filme foi muito bem de crítica nos EUA e o New Yorker chegou a chamá-lo de "facilmente o melhor filme sobre Wall Street já feito").

Margin Call (EUA / 2011 / 107 min / J.C. Chandor)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Trabalho Interno ou Jogo de Poder.

NOTA: 4.0

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Noite de Ano Novo


Da turma que fez Idas e Vindas do Amor, o filme segue a mesma fórmula de reunir dezenas de atores famosos e astros pop numa comédia romântica urbana onde não há personagens principais e várias histórias se entrelaçam no estilo de Robert Altman (diretor de Short Cuts - Cenas da Vida e Nashville, que é o mais conhecido por esse estilo de narrativa - embora a comparação seja inapropriada).

O problema aqui é o mesmo de Idas e Vindas do Amor - além de personagens medíocres, conflitos banais, situações pouco convincentes, senso de humor fraco, o roteirista imagina que, por estar contando 10 histórias ao mesmo tempo, ele se livra da necessidade de ter que contar pelo menos 1 história interessante/original/especial o bastante pra merecer um filme exclusivo. Um erro, pois um filme só é tão grande quanto o seu clímax - se você conta 10 histórias mas nenhuma delas tem a possibilidade de atingir um grande momento, o filme é fraco.

A função no fim é a mesma de ler a Caras - ver quem engordou, quem emagreceu, quem já mostra sinais de velhice, quem está mal vestida, etc. Dá pra distrair mas não espere muito mais que isso.

New Year's Eve (EUA / 2011 / 118 min / Garry Marshall)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Idas e Vindas do Amor, Simplesmente Amor, O Diário de Bridget Jones 2, etc.

NOTA: 4.5

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Os Muppets


Tentativa de resgatar os Muppets e apresentá-los à nova geração (eu mesmo conheço pouco do programa original; minha referência maior é o Muppet Babies - o desenho que passava no programa da Mara Maravilha no SBT e que era um dos melhores da época) - veja a abertura

Fui assistir curioso depois que a Fox News detonou o filme, acusando-o de fazer lavagem cerebral nas criancinhas, influenciá-las com ideias de esquerda, anti-capitalistas, pois mostra o empresário rico como o grande inimigo da humanidade, etc.

De fato o filme acaba passando isso, mas não acho que seja consciente. É apenas essa atitude "Glee" que está na moda, que diz que agora é a hora dos fracos, que o legal é comemorar as desvantagens, etc. Me parece mais uma estratégia comercial do que qualquer outra coisa, pois hoje é essa atitude que está vendendo.

Mas claro que isso acaba enfraquecendo o filme, pois esses conceitos são incompatíveis com as ideias de individualismo e auto-afirmação que o filme tenta promover.

Outro problema é que as canções são fracas e as sequências musicais não empolgam, ficando com cara de auto-paródia, como se o filme estivesse tentando se justificar dizendo "gente, nós também achamos musicais ridículos, não achem que estamos levando isso a sério".

Enfim, o filme é bem sucedido em parecer atual, em trazer os Muppets pros tempos de hoje - só que isso não é necessariamente uma vantagem. Pelo menos há um senso de humor interessante e algumas piadas ousadas que dão certa autenticidade pro filme.

The Muppets (EUA / 2011 / 103 min / James Bobin)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Enrolados, Encantada (que é bem superior), etc.

NOTA: 5.0

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um Dia


Romance retrô (é o primeiro filme que vejo que retrata os anos 90 de maneira nostálgica, explorando a moda, as gírias, citando filmes da época, como uma cultura muito distante) sobre 2 amigos que vão desenvolvendo um romance ao longo de várias décadas.

Desde que se conhecem eles se dão bem, se sentem atraídos, mas a linha entre a amizade e o romance fica indefinida e eles acabam se tornando amigos íntimos que uma vez ou outra dormem juntos.

A situação me lembrou vagamente Brokeback Mountain (esse romance em cima do muro que parece nunca se concretizar) - a grande diferença é que em Brokeback existia uma paixão de verdade, só que havia um conflito forte e convincente que complicava a coisa: 1 deles era extremamente enrustido, fechado, traumatizado emocionalmente e se negava a assumir um relacionamento, ainda mais daquela natureza.

Aqui não existe nada (nem mesmo uma questão psicológica) que impeça os 2 de ficarem juntos. Isso pra mim enfraquece a história, pois a gente chega à conclusão de que eles não devem sentir nada de tão profundo assim um pelo ao outro; que se trata de uma grande amizade, mas nada além (se você consegue "discutir a relação" com alguém de maneira tão casual como eles fazem aqui, pode apostar que não é amor romântico - quando você está de fato envolvido, há tanto a perder que não dá pra levar a coisa de maneira tão light; é sua vida em jogo).

Mas acho que há espaço pra esses "meios-termos" também no cinema. Nem todo romance precisa ser um Casablanca. O problema aqui é mais de roteiro, que foi adaptado de um livro e em muitos momentos parece sem direção, arrastado, cheio de eventos que não acrescentam ao tema (a doença da mãe por exemplo). Ainda assim é acima da média, os atores estão bem, a produção é impecável e acho que todo mundo vai conseguir se identificar com a história em algum grau.

One Day (ING, EUA / 2011 / 107 min / Lone Scherfig)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Amor e Outras Drogas, Educação, 500 Dias com Ela, Antes do Pôr-do-Sol, etc.

NOTA: 7.0

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Assalto em Dose Dupla


Alguns filmes são tão péssimos que mal merecem o tempo de serem criticados. Patrick Dempsey e Ashley Judd mancham o currículo com essa comédia fracassada que se passa toda dentro de um banco - e a "sacada" é que ele está sendo assaltado simultaneamente por 2 grupos de bandidos, que chegam ali na mesma hora por coincidência. Só que há alguns mistérios ainda para serem resolvidos - é uma mistura de "heist film" com "whodunit": Onze Homens e Um Segredo e Os 7 Suspeitos (o Clue, baseado no jogo Detetive). Só que o filme fracassa tanto na parte cômica quanto na parte thriller (é um daqueles filmes que no final alguém desvenda magicamente todo o mistério e explica tudo pro espectador, que não tem dados pra participar do raciocínio e portanto não tem como ficar impressionado, surpreso, ou mesmo saber como o personagem chegou às tais conclusões).

Os roteiristas são os mesmos de Se Beber, Não Case 1 e 2.

Flypaper (ALE, EUA / 2011 / 87 min / Rob Minkoff)

INDICAÇÃO: não veja nem no avião se estiver passando.

NOTA: 2.5

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Não Sei Como Ela Consegue


Comédia água-com-açúcar que mostra a vida de Kate Reddy (Sarah Jessica Parker), o arquétipo da mulher moderna; a mãe independente, trabalhadora, bem vestida, que além de parir e criar os filhos, também é capaz de sustentar a casa e inutilizar o marido.

A intenção do filme parece ser a de retratar uma mulher ideal; você deveria sair da sala sentindo "Nossa, como eu gostaria de ser como ela" (ou me casar com uma mulher como ela). O problema é que o que o filme mostra não é uma mulher ideal, e sim a versão já "humanizada" dela, pondo toda a ênfase nas imperfeições, naquilo que torna ela "real", mas sem mostrar as qualidades; aquilo que justificaria fazer um filme sobre tal pessoa (parece quase como uma oferta de fuga pra plateia - "veja, ninguém é perfeito, continue do jeito que você está").

Outro problema é que toda a luta da personagem é pra atingir uma vida feliz, equilibrada - porém o conceito de felicidade aqui - o lugar onde ela quer chegar - soa extremamente convencional e desinteressante. No fundo não parece que ela está lutando pra ser feliz e sim pra ser normal; pra se enquadrar nas normas da sociedade - como se obedecendo a todos os clichês que formam a imagem de uma família feliz (se reunir pra montar o boneco de neve) ela fosse capaz de se sentir realizada (quando essa cena finalmente acontece no filme a gente pode quase ouvir ela gritando por dentro "Viva, eu me enquadrei! Eu obedeci às regras! Me tornei igual a todo mundo, agora ninguém poderá me culpar!").

São noções superficiais como essa que tornam o filme insatisfatório, embora em vários momentos ele divirta (Sarah é sempre carismática) e no geral funcione como passatempo.

I Don't Know How She Does It (EUA / 2011 / 89 min / Douglas McGrath)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Uma Manhã Gloriosa, Simplesmente Complicado, Ele Não Está Tão a Fim de Você, etc.

NOTA: 5.5

domingo, 27 de novembro de 2011

Contra o Tempo


Quando o filme começa estamos tão desorientados quanto Jake Gyllenhaal - ele acorda num trem mas não sabe como foi parar lá. Uma mulher (Michelle Monaghan) está no meio de uma conversa com ele, mas ele não sabe quem ela é. Quando ele se olha no espelho, ele vê o rosto de um estranho. Alguns minutos depois, uma bomba explode no trem, matando todo mundo.

Num momento meio Matrix, Jake acorda numa outra realidade, numa capsula estranha onde ele descobre que faz parte de uma missão secreta do governo cujo objetivo é impedir um grande ataque terrorista em Chicago (não tem como explicar a história sem alguns SPOILERS, mas isso o próprio trailer já revela).

O tal do trem havia sido o último ataque do terrorista, que planeja algo muito maior pra cidade. A missão de Jake é voltar no trem e tentar descobrir quem é o terrorista, pra que possam impedi-lo de realizar o novo ataque. O processo que leva Jake de volta à cena do trem é pura ficção-científica, embora seja quase um crime falar em "ciência" aqui.

Ele não volta no tempo - a realidade pra qual ele vai na verdade é apenas um "eco", um holograma criado a partir da memória de uma das vítimas (ou de várias vítimas, não sei ao certo). Dizem que o cérebro humano tem uma memória a curto prazo que deixa registrado tudo o que aconteceu nos últimos 8 minutos, e que isso pode ser recuperado mesmo depois que a pessoa morreu!

Então, pelo que entendi, o governo pegou cérebros de vítimas do trem, "baixou" esses 8 minutos que antecederam a explosão (como se fossem fitas de segurança), e plugou a mente de Jake nessas memórias pra tentar achar o terrorista. Ele pode voltar quantas vezes for preciso, mas em cada vez só tem os 8 minutos pra vasculhar o trem (a mesma cena do trem se repete dezenas de vezes, no estilo de Feitiço do Tempo).

A pergunta que não quer calar: se Jake não volta de fato no tempo, ou seja, se ele só está no fundo analisando as memórias das vítimas (assistindo "fitas de segurança"), como é que ele pode interagir com o ambiente - conversar com as pessoas no trem, se meter em brigas, criar novos acontecimentos, e inclusive encontrar a bomba, algo que nenhuma vítima viu e portanto não poderia estar na memória de ninguém?!

A premissa do filme é tão bagunçada e sem sentido que impede todo o aproveitamento da história. Como vou me importar pelo romance que desperta entre ele e a mocinha se eu não sei se ela é real ou se é apenas um holograma? E por que vou me importar pela missão ou por qualquer coisa, se nem o protagonista sabe direito o que está fazendo ali ou mesmo se está ali? (Há algo de platônico no filme - a ideia de que a realidade é subjetiva; que a consciência cria o mundo externo, e que nossa experiência não tem uma conexão necessária com os fatos - e que isso por algum motivo é "poético".)

Em algum lugar desse roteiro existia a promessa de um filme inteligente e ousado, mas assim como em muitos filmes recentes do gênero, a promessa vai por água abaixo por falta de clareza, lógica, e uma pretensão intelectual que o filme não consegue sustentar (pra mim, esses filmes todos querem ser o novo Matrix, que deve ser o filme mais imitado dos últimos 15 anos).

Source Code (EUA, FRA / 2011 / 93 min / Duncan Jones)

INDICAÇÃO: Quem gostou de A Origem, O Preço do Amanhã, Agentes do Destino, Efeito Borboleta, Tempo Esgotado.

NOTA: 4.5

domingo, 20 de novembro de 2011

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1


O que as pessoas costumam ridicularizar nessa saga é justamente a única coisa que eu gosto: a tentativa de retratar uma paixão intensa, pura, idealizada, como nos filmes de antigamente. É por causa disso que eu tenho um mínimo de simpatia pela série e vou sempre ver os filmes com boa vontade. Mas toda vez é a mesma frustração - embora a intenção seja boa, o romance é ilustrado de forma tão superficial, o roteiro é tão vazio, o filme é tão ruim em todos os outros sentidos, que no fim acabo perdendo a boa vontade inicial.

Esse pra mim foi um dos mais chatos, pois nos outros ainda havia a dúvida de Bella, que não sabia se ficava com Jacob ou Edward. Nesse ela já escolheu Edward, eliminando o único conflito que tornava a história envolvente.

Sem um conflito, o filme fica apenas com um problema físico, como num filme de ação - Bella está grávida de Edward e corre risco vida, pois seu corpo pode ser incompatível com o feto. O problema é que uma gravidez perigosa não é um evento muito cinematográfico e não gera ação pra preencher o filme (voar com a câmera por dentro da corrente sanguínea de Bella é uma tentativa patética de tornar a gravidez algo mais interessante de assistir).

Pra piorar o filme é cheio de cenas ridículas, como a imagem da cama destruída após a primeira cena de sexo (se Edward fez aquilo com a cama a gente fica imaginando como ficou a "periquita" da menina na manhã seguinte), todas as cenas que envolvem lobos discutindo com vozes humanas, ou então Bella bebendo sangue de canudinho, que é simplesmente nojento.

Assim como no último Harry Potter, é óbvio que a divisão do filme em 2 partes é apenas uma estratégia pra faturar o dobro da bilheteria. Tão pouco acontece no filme que, pensando agora, fica até difícil de entender como é que eles preencheram as 2 horas de projeção.

The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 1 (EUA / 2011 / 117 min / Bill Condon)

INDICAÇÃO: Desnecessária.

NOTA: 4.0

domingo, 6 de novembro de 2011

O Palhaço


Remetendo a A Estrada da Vida de Federico Fellini, o filme foi co-escrito, dirigido e estrelado por Selton Mello e mostra uma trupe de circo que viaja por cidadezinhas do interior de Minas Gerais apresentando números (infelizmente) muito sem graça, tanto pra plateia do circo quanto pra plateia do cinema.

No centro do filme está o palhaço Benjamim (Selton), que parece estar passando por uma crise existencial - questionando se "nasceu" mesmo pra ser um palhaço ou se deveria explorar outros talentos. Mas na verdade esse conflito só fica explícito após 1 hora de filme - não é correto dizer que o filme é sobre isso ou sobre qualquer outra coisa, até porque tudo é resolvido de maneira muito casual. O filme é basicamente um retrato naturalista da rotina dessa trupe; não chega a ter um arco dramático, uma história, personagens bem desenvolvidos... A característica do filme naturalista é justamente não ter enredo (que pra mim é um elemento indispensável do cinema, por isso não gosto muito desse tipo de filme).

É um filme mais "contemplativo". Geralmente quem gosta de filmes assim costuma dizer que achou o filme "poético", sem saber definir bem o que é isso. Esse conteúdo vem muito mais das emoções do público do que do filme em si; o filme serve mais como uma base pra essas divagações pessoais da plateia, que vai preenchendo as lacunas por conta própria (os closes nos ventiladores, por exemplo, são exemplos desses vazios que o espectador pode confundir com conteúdo). Eu não colaboro dessa forma com os filmes que assisto.

O Palhaço (BRA / 2011 / 90 min / Selton Mello)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Cinema, Aspirinas e Urubus, Viagem a Darjeeling, A Estrada da Vida (embora todos esses sejam mais interessantes).

NOTA: 4.0

sábado, 5 de novembro de 2011

O Preço do Amanhã


Imagine o seguinte contexto: no futuro, as pessoas só envelhecem até os 25 anos de idade; após isso, elas precisam trabalhar pra ganhar seu tempo de vida na Terra. Ou seja, o dinheiro foi substituído por "tempo" e as pessoas andam por aí com um painel no braço indicando quanto tempo ($) elas ainda têm de vida. Se o relógio atingir o zero, elas morrem instantaneamente; se elas trabalharem e ganharem mais, poderão até se tornar imortais (um dos furos do roteiro é que ele tenta passar a ideia de que apenas os ricos podem ser imortais; mas, se você seguir a lógica, verá que bastaria alguém acumular 1 minuto por dia pra se tornar imortal; a diferença dos ricos é que eles têm séculos de estoque, mas um pobre também poderia ser imortal, desde que ganhasse mais do que consome).

Quem inventaria uma sociedade impossível (e nada prática) como essa? A população aceitou viver assim? Por que não está todo mundo revoltado nas ruas exigindo a remoção do tal dispositivo (ou pelo menos tentando fazer isso clandestinamente)? O mundo inteiro vive dentro desse sistema? O governo cobra impostos? As pessoas não podem ir morar num outro país? Não sabemos.

O vilão óbvio numa trama como essa é o governo. O conflito principal aqui é entre o homem e o sistema estatista, que roubou a liberdade do cidadão quando instalou uma bomba relógio no corpo dele. Mas estranhamente, o filme não questiona o sistema - ele vira um ataque contra os ricos! Sim, é tudo um grito de ódio contra aqueles que têm mais - não porque eles roubaram os pobres ou porque ficaram ricos ilegalmente, mas simplesmente pelo fato deles terem mais.

Quem criou essa situação toda foi o estatismo - o governo é o vilão, não o rico. A "crítica" ao capitalismo e às classes altas que o filme faz é burra e contraditória, afinal o capitalismo é o único sistema social baseado na liberdade e nos direitos do indivíduo - ou seja, eles deviam estar lutando PELO capitalismo, não contra ele. Lutar pela liberdade E pelo direito de assaltar os outros é uma contradição absurda (isso me irrita nesse caso pois o filme é pretensioso intelectualmente e leva a sério suas ideias, não se trata de uma aventura tipo Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões, que parte dos mesmos princípios mas não chega a ser um filme político).


O filme te pergunta: e se no futuro você fosse imortal? E se no lugar de dinheiro as pessoas trocassem tempo? E se você não pudesse guardar suas economias num banco ou num lugar seguro, mas andasse com tudo à vista pra qualquer um tomar de você num simples aperto de mão? E se o tempo fosse um recurso limitado no mundo e controlado por poucos, de forma que pra uns terem mais, outros precisassem ter menos? E se você tivesse um mecanismo instalado no seu corpo que pudesse te matar? E se você fosse acusado de um crime que não cometeu e não houvesse justiça?

Após tantos "e se" que não têm nenhuma relação com a realidade, como é que um filme pode querer fazer parábolas ou críticas a qualquer coisa? (Esse é o mesmo problema de Ensaio Sobre a Cegueira.)

Em termos de ideias, é um dos filmes mais confusos e imorais que eu já vi. Nem num nível de "distração" ele funciona muito bem, afinal o casal não tem química e a ação não empolga (há o assalto a banco mais sem graça da história do cinema, além da péssima disputa de "queda de braço" onde Justin Timberlake demonstra uma técnica tão insana que só deve ter lógica na mente desse roteirista - alguém capaz de ter bolado o resto do filme).

Aliás, o diretor/roteirista é Andrew Niccol, o mesmo de S1m0ne, Gattaca e do bem superior O Show de Truman (esse último ele só escreveu mas não dirigiu).

In Time (EUA / 2011 / 109 min / Andrew Niccol)

INDICAÇÃO: Pessoas com tendências socialistas. Quem gostou de Agentes do Destino, Distrito 9, Filhos da Esperança, Ensaio Sobre a Cegueira, etc.

NOTA: 3.0

domingo, 30 de outubro de 2011

A Pele que Habito


Novo de Pedro Almodóvar, estrelado por Antonio Banderas. A história gira em torno de um cirurgião plástico obcecado em desenvolver um novo tipo de pele artificial desde que sua esposa sofreu um acidente de carro e teve o corpo todo queimado (depois ela se mata, mas ele continua com as pesquisas).

Vemos que ele mantém uma garota trancada num quarto de casa como cobaia, mas não sabemos como ela foi parar lá. É um daqueles filmes que você pega o bonde andando e aos poucos vai entendendo o que está acontecendo.

Adoro a criatividade e a imaginação de Almodóvar e acho ele um ótimo cineasta (no sentido de ter uma direção clara, de seus filmes serem tecnicamente bem feitos, etc). Emocionalmente eu já me sinto um pouco mais distante; não gosto dos assuntos, da maneira que ele enxerga o mundo - a mania de retratar o homem como um animal movido por instintos sexuais, mistérios do subconsciente, sem nenhuma dignidade (a intenção é explícita; repare no homem vestido de tigre, na ênfase da TV mostrando o felino atacando a presa, etc).

Ele acaba com a nobreza de qualquer um - até um cirurgião brilhante no fundo é um monstro controlado pelo irracional. O amor é uma obsessão física - as pessoas se apaixonam por peles, por formatos de rostos, como se personalidade, valores, ambições, ou seja, tudo relativo à consciência fosse mera decoração.

Pra mim é um caso misto. É um universo que não me atrai muito, mas por outro lado a trama é tão elaborada e o filme tão bem feito que fica difícil não se divertir.

La piel que habito (ESP / 2011 / 117 min / Pedro Almodóvar)

INDICAÇÃO: Não precisa - quem gosta sabe.

NOTA: 7.0

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Atividade Paranormal 3


Eu gosto de tomar sustos (em filmes e parques de diversão - não na vida real) mas há um motivo pelo qual o Castelo dos Horrores no Playcenter não é um trajeto de 5 quilômetros, ou pelo qual uma criança não passa 1 hora e meia brincando com uma caixinha de surpresa (daquelas que você gira a manivela e salta o palhaço). Sustos não equivalem a histórias. Pra se envolver num programa mais longo, como um filme, você precisa de tema, trama, personagens, mensagens, etc. Os produtores de Atividade Paranormal perceberam que o público gosta de tomar sustos e tiveram a "brilhante" ideia de dispensar todos os outros elementos da ficção, construindo o que equivale a uma caixinha de surpresas de 1 hora e meia, que garante pelo menos 1 salto do palhaço a cada tantos minutos. A coisa está tão ridícula que muitas vezes os sustos nada tem a ver com espíritos ou com o contexto do filme - um dos sustos por exemplo é provocado por um defeito da fita num momento de suspense - um salto na imagem e um estalo no som que são completamente gratuitos.

É uma experiência deprimente e entediante. Essa onda de pseudo-documentário de terror já está cansando. Qual o propósito desse formato? Certamente não é o de criar realismo, pois além do público já estar acostumado com o artifício há mais de 10 anos, o comportamento
dos personagens é tão falso e ilógico que quebra todo o efeito. E pro propósito de dar sustos, um filme convencional ofereceria ainda mais possibilidades. Hoje em dia esse molde só serve como desculpa pro filme não precisar ter roteiro ou qualidade, afinal são apenas "fitas recuperadas". E mesmo assim o filme está sendo um sucesso enorme nos EUA. Ou o nível de exigência das pessoas pra entretenimento caiu demais ou elas realmente acreditam em demônios e ficam impressionadas com as imagens. Nenhuma das opções é muito animadora!

Paranormal Activity 3 (EUA / 2011 / 85 min / Henry Joost, Ariel Schulman)

INDICAÇÃO: Pra quem gostou dos outros da série, Apollo 18, Quarentena, etc.

OPÇÕES MELHORES: Sobrenatural, O Último Exorcismo, REC, A Bruxa de Blair, Cannibal Holocaust.

NOTA: 3.0

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Gigantes de Aço


O filme se passa num futuro próximo onde lutas entre robôs gigantes (operados por humanos) substituíram o boxe tradicional e se tornaram um esporte popular. O filme é ao mesmo tempo 1) a história de um ex-lutador fracassado voltando à ativa, 2) a história de Davi vs. Golias, e 3) uma história de reencontro entre pai e filho.

Mas em todas as linhas o filme decepciona.

O personagem do Hugh Jackman é apresentado como um mercenário incompetente e sem valores, portanto o filme não te dá motivos pra querer que ele volte à ativa e nem que conquiste o filho abandonado.

O garoto no começo mostra ter inteligência e conhecimento técnico sobre robôs, mas sua aposta no robô Atom é totalmente irracional e nada tem a ver com seu conhecimento - ele simplesmente tem uma fé mística neste robô em particular, que revela ser mesmo uma excelente máquina. Mas o mérito aqui é do fabricante do robô, uma figura que nunca é mostrada ou sugerida no filme (aliás, por que uma máquina tão especial estava largada no lixão?!).

A impressão que temos é que o robô só vence as lutas mesmo por ser mais resistente do que os demais - não por alguma habilidade especial do garoto ou do pai como operadores. Ou seja, se eles não tivessem achado acidentalmente esse robô no lixão, eles teriam continuado na mesma (o filme não diz nada sobre persistência, superação, etc). As vitórias deles não são merecidas portanto nenhuma emoção é possível (a não ser certo constrangimento).

Há também uma tentativa de inserir uma história de "camaradagem" entre o garoto e o robô, o que é um absurdo pois o robô não tem nenhum tipo de consciência ou inteligência artificial. Não é como em O Exterminador do Futuro 2, onde é possível projetar um personagem humano no robô e tirar algum sentido abstrato da relação entre ele e o menino. Aqui o robô é apenas uma máquina mesmo - ver o garoto brincando com Atom é tão interessante quanto assistir uma dona de casa aspirando o pó.

Se tivesse sido bem feito, o filme poderia ter sido uma espécie de Karatê Kid ou Seabiscuit. Mas o roteiro é tão artificial, tão mal escrito, que o resultado é apenas uma colagem bagunçada de outros filmes que não chega a nenhum significado ou emoção.

Real Steel (EUA, IND / 2011 / 127 min / Shawn Levy)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Cowboys vs. Aliens, Super 8, Transformers 3, etc.

NOTA: 4.0

sábado, 15 de outubro de 2011

Férias


Estou passeando em Nova York e por isso não tenho visto muitos filmes nem escrito no blog. Na verdade assisti 3 filmes nessas últimas semanas mas na correria acabei não postando nada; vou comentar BEM rapidamente só pra registrar:






Um Conto Chinês
. Achei divertido e bem feito apesar de ser argentino - da linha "realista" que eu não gosto (ou seja, filmes sobre pessoas comuns vivendo vidas modestas). NOTA: 6.0










Amizade Colorida passa do ponto na escatologia e no sexo mas achei bem divertido e é uma das boas comédias românticas do ano. NOTA: 7.5











A Hora do Espanto é remake do filme de vampiro dos anos 80 (que eu me lembro pouco). A produção é elegante e há certo humor, mas a história é sem surpresas e o vilão não assusta. NOTA: 5.5









Hoje passei no New York Film Festival e vi o Pedro Almodóvar, que estava lá falando sobre a carreira e seu novo filme, A Pele que Habito. Me chamou a atenção que ele citou o Brasil diversas vezes, falando sempre de maneira elogiosa. O filme estreou hoje aqui e pretendo ver essa semana.

Abraços a todos!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Confiar


Dirigido por David Schwimmer (isso mesmo, o Ross!) esse drama pesado conta a história de uma típica garota americana de 15 anos que mantém uma paquera virtual com um rapaz que ela acha ter 17 anos, mas que no fim das contas é um homem de 35 caçando menininhas na internet e ela acaba sendo meio que estuprada.

Além da questão da pedofilia e do estupro, o filme também é um bom drama familiar e discute o medo da rejeição social, as pressões que se sofre no colégio pra pertencer a determinados grupos, etc.

No começo estava me incomodando pois achava que o filme estava indo na direção de Menina Má.com - querendo me convencer de que um homem seria um monstro abominável por ir pra cama com uma menor de idade, como se não houvesse diferença entre ter 15 anos ou 5, entre persuasão e força física...

Felizmente o filme é mais complexo e interessante que isso, e levanta questões morais válidas, dignas de uma boa discussão.

Achei forte, sensível, comovente, até por causa do elenco que está muito bem - em especial Clive Owen e a menina Liana Liberato (será parente do Gugu?) que começa inexpressiva e vai ganhando personalidade ao longo da história.

Trust (EUA / 2010 / 106 min / David Schwimmer)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Educação ou Aos Treze.

NOTA: 7.5

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Premonição 5


NOTAS DA SESSÃO:

Adoro a fórmula dessa série: um grupo de jovens escapa de um grande acidente no começo do filme (por conta de uma premonição) mas o "destino" resolve corrigir a falha, armando novos acidentes pra matar um a um, na ordem em que teriam morrido originalmente.

Como os personagens mudam a cada capítulo, a fórmula pode ser repetida infinitamente. Basta que os roteiristas continuem bolando cenas de morte surpreendentes, que são a essência desses filmes.

Achei o filme divertidíssimo, começando pela sequência de créditos que é muito criativa e já dá algumas pistas do que acontecerá ao longo do filme.

As mortes muitas vezes são exageradas e cômicas, mas acho que faz parte da graça dos filmes de terror (pois fica claro que se trata de uma fantasia, de algo feito pra divertir e não uma obsessão mórbida pela tortura).

Mas o melhor não são as mortes em si, e sim o preparo, a construção das cenas; um suspense criado apenas com imagens e edição - puro cinema mesmo (a sequência da ginástica olímpica deixaria Alfred Hitchcock orgulhoso).

Esse é um dos motivos de eu gostar de filmes de terror; é um gênero que força os filmes a pensarem em termos de clímax, de CENAS, que pra mim é o elemento mais importante num filme. Mesmo quando a história é fraca, o filme sempre tenta entregar 2 ou 3 momentos marcantes.

Final Destination 5 (EUA / 2011 / 92 min / Steven Quale)

INDICAÇÃO: Quem gostou dos outros da série, de Pânico 4, Piranha 3D, etc.

NOTA: 7.0

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Missão Madrinha de Casamento


Vem sido eleito o "filme mais engraçado do ano" essa comédia que parece uma versão feminina de Se Beber, Não Case.

Maya Rudolph (do Saturday Night Live) resolve se casar e escolhe sua amiga mais antiga (Kristen Wiig, também do SNL) pra ser a madrinha. Mas uma rivalidade surge entre ela e uma das damas de honra (a nova melhor amiga da noiva, muito mais rica que Kristen) que torna os preparativos do casamento um desastre após o outro.

O filme mistura um humor mais inteligente e sensível com cenas extremamente grosseiras e escatológicas - uma combinação que busca garantir risadas pra todo tipo de público (e acho que consegue).

Um outro tipo de combinação já não me agrada tanto - comédia com drama. Muitas comédias hoje em dia não se contentam em ser apenas comédias e no final tentam dar uma emocionada, passar uma mensagem piegas de amizade, etc.

O problema é que Kristen faz uma solteirona falida, neurótica e cheia de falhas - uma personagem que é ótima pra gente dar risada, mas nem tanto pra levar a sério e se identificar.

Ainda assim achei o filme hilário, muito autêntico e original, e Kristen Wiig (que eu nunca tinha visto antes) está numa performance brilhante, digna de um Globo de Ouro.

Bridesmaids (EUA / 2011 / 132 min / Paul Feig)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Quero Matar Meu Chefe, Professora Sem Classe, Se Beber, Não Case, Superbad, etc.

NOTA: 7.5

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Homem do Futuro


O Homem do Futuro é bom e original. Infelizmente a parte que é boa não é original e a parte que é original não é boa (o roteiro foi adaptado de De Volta para o Futuro - filme que eu conheço do avesso, então sei que não se trata de uma simples coincidência).

Todo filme de viagem no tempo exige um mínimo de boa vontade da plateia, pois se ficarmos analisando todos os detalhes da trama eventualmente encontraremos algo que não faz sentido. Mas os bons filmes do gênero (De Volta para o Futuro, O Exterminador do Futuro, etc...) conseguem em cima disso construir tramas brilhantes e perfeitamente compreensíveis.

Enquanto nesses filmes o prazer está em acompanhar uma história inteligente, cheia de sacadas inteligentes, O Homem do Futuro nos dá o "prazer" de abrir mão da lógica nos rendermos a uma trama que parece complexa demais pra ser entendida, quando na verdade ela não faz o menor sentido.

Provavelmente as pessoas gostaram do filme mais pelo lado romântico, que no começo me atraiu também, mas que vai se tornando cada vez mais pessimista e complicado ao longo da história.

No fim, o que eu tiro do filme é que o amor é incompreensível e trágico, que as pessoas não têm valores e estão à mercê do acaso, que o dinheiro corrompe, que a ciência traz o pior do homem, que mentiras às vezes são necessárias e que, se você "merecer", é aceitável ficar rico trapaceando.

Não gosto desse tom geral do filme. Se fosse uma história original e realmente bem escrita, eu teria aproveitado mais.

O Homem do Futuro (BRA / 2011 / 111 min / Claudio Torres)

INDICAÇÃO: Quem gostou de A Mulher Invisível, Romance, Redentor, etc.

NOTA: 5.0

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Glee 3D: O Filme


Na onda desses shows teens em 3D que passam no cinema (tipo Hannah Montana, Jonas Brothers, etc), este acompanha a turnê Glee Live! In Concert! com o elenco original da série Glee, intercalando apresentações com cenas de bastidores.

O show é mais um karaokê de luxo mas diverte, afinal eles só fazem covers de grandes sucessos então não dá pra errar muito. Há também depoimentos de fãs que tiveram suas vidas transformadas pela série: uma anã, uma menina com síndrome de Asperger, um gay... Isso fica um pouco com cara de encontro evangélico e já não me agrada tanto.

Tenho visto alguns episódios da primeira temporada de Glee e continuo não conseguindo simpatizar muito com os personagens; não por serem losers, mas porque todos me parecem meio falsos, manipuladores, fúteis, um competindo contra o outro... Sinto falta de um mínimo de inocência e bondade no meio disso tudo.

Glee: The 3D Concert Movie (EUA / 2011 / 84 min / Kevin Tancharoen)

INDICAÇÃO: Fãs da série e dos shows que eu citei.

NOTA: 5.0

sábado, 17 de setembro de 2011

Conan - O Bárbaro


Não é exatamente um remake do filme do Schwarzenegger de 1982, mas uma nova adaptação das histórias originais de Robert E. Howard.

Se trata de uma fantasia sobre um garoto da Ciméria que tem o pai assassinado, a vila destruída, e depois de adulto (e bombado) sai pelo continente buscando vingança com a espada forjada pelo pai (o engraçado é que o menino já nasceu durante uma batalha - e a gente fica se perguntando o que a mãe fazia com 9 meses de gravidez numa guerra usando armadura e tudo).

O filme é basicamente uma sequência de lutas mal editadas e extremamente violentas, onde os corpos não se comportam como algo de carne e osso, mas como bexigas de sangue, explodindo e espirrando tudo ao primeiro toque da espada (falando em violência, há uma cena onde Conan enfia o dedo no nariz de um homem que é uma das coisas mais desagradáveis que eu já vi).

Não é trash como alguns estão falando, mas é um filme cuja principal meta é se parecer com outros filmes - ser fiel a clichês, ter apenas a aparência de filmes do gênero. Não há interesse em novas ideias, surpresas, em envolver o público.

A produção até que não é feia, mas o resultado é entediante, previsível, e o modelo Jason Momoa não convence como Arnold.

Conan the Barbarian (EUA / 2011 / 113 min / Marcus Nispel)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Thor, Príncipe da Pérsia, Fúria de Titãs, Beowulf, 300, etc.

NOTA: 4.5

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Cowboys & Aliens


Baseado numa história em quadrinhos (que por sua vez já era baseada num roteiro original escrito em 1989), o filme se passa no Arizona em 1873 num cenário típico dos faroestes. Só que em vez de mocinhos contra bandidos, agora temos mocinhos contra extraterrestres, que invadem a Terra pra roubar ouro e sequestram vários moradores da cidadezinha pra realizar testes.

A maior surpresa é que, ao contrário do que sugerem a sinopse e o título, o filme não é uma comédia! Muito pelo contrário; é um drama arrastado e pretensioso com muito menos ação do que se poderia imaginar, resultando num filme bizarro - uma combinação grotesca de gêneros que só teria funcionado se o roteiro fosse brilhante, com personagens bem escritos e uma história realmente sólida.

Quem são as pessoas raptadas pelos aliens? Por que deveríamos nos importar durante 2 horas? Será que dá pra acreditar que cowboys teriam qualquer chance contra uma civilização infinitamente mais avançada, capaz de viajar através da galáxia?

Um erro completo. Se fosse uma comédia na linha Homens de Preto poderia ter funcionado.

Cowboys & Aliens (EUA, IND / 2011 / 118 min / Jon Favreau)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Super 8, Distrito 9, etc.

NOTA: 3.0

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Larry Crowne - O Amor Está de Volta


Após perder o emprego (por não ter um diploma), um homem de meia idade (Tom Hanks) resolve mudar de vida e voltar pra faculdade, onde ele faz novos amigos e começa um romance com a professora de oratória (Julia Roberts). Este é o segundo longa que Tom Hanks dirige (o primeiro foi The Wonders - O Sonho Não Acabou).

É triste ver 2 dos maiores astros da história de Hollywood numa comedinha morna como essa. Podia ter sido um filme sobre um cara dando a volta por cima, encontrando um grande amor, etc, mas vira um conto sem sal sobre um homem desajustado que é despedido, pega uns cursos inúteis, conhece pessoas desinteressantes e tem um relacionamento de intensidade moderada.

Hanks sempre fez bem esse tipo de adulto abobalhado que ele repete aqui, mas enquanto em Forrest Gump esse comportamento era charmoso pois no fundo ele era um herói realizando grandes façanhas (não era o bobo que "fingia" ser), um homem comum agindo assim fica parecendo de fato um senhor com problemas mentais.

Por outro lado, Julia faz o tipo impaciente/mal-humorada que era charmoso em Erin Brockovich, onde ela era uma mulher sexy lutando por grandes causas, mas que aqui fica parecendo apenas a atitude de uma professora infeliz e encalhada.

O filme simplesmente não convence. Na história, todos parecem se encantar com o "carisma" adorável de Larry Crowne, e por onde ele passa deixa saudades (um papel meio Robin Williams). Mas isso soa completamente forçado. Nada que Larry pensa/diz/faz justifica sua popularidade (por exemplo, ele se torna líder de um grupo de jovens fanáticos por scooters numa sub-trama completamente besta e improvável).

Fica difícil de imaginar o que atraiu Hanks ao projeto. Talvez seja porque, pra um superstar como ele (um astro multi-milionário reconhecido mundialmente) a rotina de um homem humilde como Larry Crowne pareça algo muito exótico e fora da realidade - algo tão escapista quanto filmes sobre astros de Hollywood são para nós.

Larry Crowne (EUA / 2011 / 98 min / Tom Hanks)

INDICAÇÃO: Quem gostou de O Amor Acontece, Eu Odeio o Dia dos Namorados (Larry Crowne foi co-escrito por Nia Vardalos), etc.

NOTA: 4.0

sábado, 10 de setembro de 2011

Apollo 18 - A Missão Proibida


Estão em alta esses filmes de terror que fingem ser gravações perdidas de eventos sobrenaturais (começou com A Bruxa de Blair mas a moda continua até hoje com REC, Cloverfield, Atividade Paranormal, etc). Esse tenta explicar por que o homem nunca mais voltou à lua, revelando os vídeos da última missão - uma viagem secreta feita após a Apollo 17, que pensávamos ter sido a última.

Mas tudo é tão falso que não dá nem pra brincar de estar sendo enganado (um dos "astronautas" diz que há um lado escuro da lua que nunca é tocado pelo Sol - uma grande asneira se você parar 10 segundos pra pensar). E pra começar, (SPOILER) como o material foi recuperado, se a Apollo 18 foi a última a ir à lua? Será que bilhões foram gastos numa Apollo 19, só pra recuperar os vídeos?!

Mas tudo isso é irrelevante. O filme é até curioso em termos de história - não é como Atividade Paranormal, que se resume a provocar sustos - o problema é que os personagens são muito vazios e distantes pra gente se importar, e o vilão também é fraquinho e não assusta.

O lance de simular ser um documentário pode até parecer uma boa ideia a princípio, pra tornar o filme mais realista e aterrorizante, mas quando se trata de algo obviamente falso, isso se torna só mais uma distração e incentiva a gente a ficar procurando erros (por exemplo, a gravidade na lua que parece igual à da Terra).

Teria gostado mais de um filme convencional onde a gente pudesse ver direito a paisagem lunar, conhecer melhor os personagens, etc. Mas claro, isso exigiria um orçamento muito maior. E um roteirista melhor.

Apollo 18 (EUA-CAN / 2011 / 86 min / Gonzalo López-Gallego)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Atividade Paranormal, Contatos de 4º Grau, etc.

NOTA: 5.0