sábado, 5 de maio de 2012

"Universo Malevolente"


Juntei alguns textos aqui pra explicar o conceito de "universo malevolente", presente na maioria dos filmes considerados bons hoje em dia. Assim, consigo resumir num termo uma das minhas reclamações mais frequentes aqui no blog. É importante dizer que isso não é uma condenação estética desses filmes - um filme não é ruim necessariamente por partir dessa premissa (embora em casos extremos ela tenda a comprometer o filme como um todo). Mas esse é o principal motivo de eu, pessoalmente, não gostar de muitos desses filmes. 

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"A premissa do "universo malevolente" é a crença, geralmente aceita apenas sob a forma de uma emoção ou sentimento generalizado, de que aquilo que é bom - ou seja, aquilo que a pessoa mais valoriza e deseja - não tem chances na Terra. De que não há forma de atingir os seus valores mais profundos dentre os homens. Essa premissa geralmente é sentida como um "senso de vida", e tem a sensação de uma convicção metafísica, de uma visão fundamental de sua relação com a existência. Normalmente esse conceito é formado por um processo de generalização emocional; partindo da observação de que muitos homens são irracionais, e chegando à noção desesperada de que, por alguma razão incompreensível, os homens serão inevitavelmente irracionais." - Nathaniel Branden

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"Muitas pessoas novas hoje em dia são ensinadas que, apenas quando você está sofrendo você está em contato com a realidade. Notem que a maioria dos intelectuais consideram uma história que é trágica intrinsicamente mais profunda do que uma história que é feliz. Qual a afirmação por trás disso? Tragédia é a essência da vida. Felicidade é um evento temporário e superficial. Quem disse? Da vida de quem? Por quê? Notem que maioria da arte que é chamada de profunda também é trágica. A maior parte da literatura que é chamada de profunda é trágica. Você poderia contestar isso dizendo "mas existe muito pouca arte que expressa alegria". Verdade. Mas isso não prova que ela é menos importante, só ilustra o quão raro isso é na experiência humana, justamente por causa tipo extraordinário de conquista que representa. - Nathaniel Branden

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"A ética altruísta é baseada numa metafísica de "universo malevolente", na teoria de que o homem, por sua natureza, é impotente e está condenado - que sucesso, felicidade e conquista são impossíveis pra ele - que emergências, catástrofes e desastres são a norma de sua vida, e que seu objetivo principal é combatê-los. Como uma refutação simples dessa visão - como evidência do fato de que o universo material não é inimigo do homem e que catástrofes são a exceção - não a regra de sua existência - observe as fortunas feitas pelas companhias de seguro." - Ayn Rand

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"Se você tiver ideias equivocadas em qualquer questão filosófica básica, isso irá comprometer ou destruir a premissa de "universo benevolente". Por exemplo, qualquer distanciamento em metafísica da visão de que este mundo em que vivemos é a realidade - a realidade completa e absoluta - qualquer distanciamento disso [subjetivismo ou religião, por exemplo] irá necessariamente destruir a confiança de uma pessoa em sua habilidade de lidar com o mundo, e irá trazer o elemento de "universo malevolente". O mesmo se aplica à epistemologia: se de alguma forma você chegar à conclusão de que a razão não é válida, então o homem não tem ferramentas pra conquistar seus valores; portanto derrota e tragédia parecerão inevitáveis.

Isso também vale pra ética. Se os homens tiverem valores que são incompatíveis com a vida - como auto-sacrifício e altruísmo - obviamente eles não poderão conquistar esses valores [pois vão contra sua natureza e sua sobrevivência]; logo chegarão a conclusão de que o mal é necessário e de que eles estão condenados à miséria, ao sofrimento e ao fracasso. É um código de ética irracional que, acima de tudo, alimenta a atitude de "universo malevolente" e leva à síndrome eloquentemente expressada pelo filósofo Schopenhauer: "Não importa o que digam, o momento mais feliz do homem feliz é o momento em que ele adormece, e o momento mais infeliz do homem infeliz é o momento em que ele acorda. A vida humana deve ser algum erro."

Há certamente "algum erro" aqui. Mas não é a vida. São as filosofias usadas pra destruir o homem - pra torná-lo incapaz de viver." - Leonard Peikoff

2 comentários:

Rodrigo E. disse...

Ótimos textos. Refletem bem a filosofia na maioria dos filmes de hoje.
Esses dias re-assisti Um Sonho de Liberdade. Quando terminei me dei conta de como sentia falta de assistir um filme assim e como eles são raros nesses últimos tempos.

Caio Amaral disse...

Pois é Rodrigo, eu sempre acabo tendo que recorrer ao passado quando quero assistir algo mais positivo e bem feito como Um Sonho de Liberdade.. ótimo filme!