terça-feira, 28 de julho de 2015

Acordes e Senso de Vida

Como alguns de vocês sabem, além de cinéfilo eu também tenho interesse por música, e nas "horas vagas" desenvolvo alguns projetos na área. Lendo um livro sobre composição me deparei com esse estudo sobre o uso de acordes na música popular americana que revela algo muito interessante sobre a cultura atual e que tem muito a ver com o que costumo discutir aqui. O livro se chama How [NOT] to Write a Hit Song!:

"Cada acorde tem um tom emocional diferente. Acordes maiores transmitem alegria, entusiasmo ou um sentimento positivo; acordes menores criam um senso de melancolia ou tristeza."

"Em 2012, um estudo acadêmico revelou que o número de hits com acordes menores dobrou desde 1965, e menos canções de sucesso estão sendo escritas agora com acordes maiores."

"O psicólogo musical E. Glenn Schellenberg e o sociólogo Christian von Scheve avaliaram mais de 1000 canções americanas que ficaram no Top 40 entre 1965 e 2012. O estudo mostrou que na segunda metade da década de 60, cerca de 85% das músicas que chegaram ao topo das paradas foram escritas no modo maior, mas no final da década de 2000, este número havia caído para apenas 43.5%. Assim como as letras das canções pop se tornaram mais auto-referenciais e negativas nas últimas décadas, a música também mudou - ela soa mais triste e mais ambivalente emocionalmente."

O autor do livro Brian Oliver não enxerga essa mudança como algo ruim. Ele inclusive incentiva os novos compositores a usarem acordes menores em suas músicas para que elas se tornem mais comerciais pros dias de hoje. Ele diz:

"Compositores que ignoram completamente os acordes menores não apenas estão perdendo a chance de acrescentar mais profundidade e personalidade às suas canções, como estão indo contra uma das maiores tendências de composição dos últimos 50 anos."

Assim como as preferências artísticas de uma pessoa são um reflexo do seu Senso de Vida, as preferências artísticas de uma cultura dizem muito sobre o Senso de Vida predominante de uma determinada época - e estudos como esse são um bom indicativo de que ele se tornou mais negativo nos EUA de umas décadas pra cá, assim como podemos observar no cinema.

Eu não sou contra o uso de acordes menores, da mesma forma que não sou contra momentos de tensão e desconforto em filmes. Mas, na minha visão, os acorde menores devem ser usados apenas como um contraste para os acordes maiores, como um "tempero" - pra tornar as músicas mais dinâmicas, pra adequarem a música aos temas das letras, e principalmente como forma de enfatizar os acordes maiores, realçando seu "sabor". Mas os acordes menores não deveriam ser a meta, o foco principal do compositor. Nas músicas mais positivas, o objetivo final é sempre a harmonia e as emoções satisfatórias produzidas pelos acordes maiores.

Pra quem não está entendendo nada, vou postar abaixo uma versão do hino americano (simbolicamente) cantado numa escala menor:




E agora a versão original na escala maior:


4 comentários:

Anônimo disse...

Caio, espero uma crítica sincera de Ambiancé quando lançarem. Não decepcione.

Caio Amaral disse...

Pode ser uma crítica só do teaser? Rs.

Djefferson disse...

Li seu post e surgiu uma dúvida: qual seu estilo de música, músicas e artistas preferidos? Não vale dizer eclético. Pois pelo que me parece, você fala muito de música pop em seus posts.

Caio Amaral disse...

Oi Djefferson, não sou muuuito eclético não, hehe. No dia a dia costumo ouvir música pop americana. Sucessos dos anos 60 até hoje. Gosto de musicais também, algumas trilhas de filmes, etc.