domingo, 27 de novembro de 2016

A Chegada

NOTAS DA SESSÃO:

- Bem fotografado, direção cheia de estilo. Há um toque de Romantismo Reprimido que me incomoda nessa coisa de pegar uma história de invasão alienígena, mas abordar tudo de uma maneira anti-blockbuster, como se o diretor tivesse querendo ganhar prestígio simplesmente pelo fato dele não ser estimulante, divertido, como os filmes do gênero costumam ser. Ainda assim a premissa é interessante, os diálogos têm certa sofisticação, a Amy Adams está bem, etc.

- Linda a imagem quando vemos a nave pela primeira vez.

- O filme impressiona mais pelo estilo da direção do que pelo conteúdo, pela história em si. O Denis Villeneuve tem uma tendência de dirigir todos os filmes da mesma forma, com o mesmo ritmo, independentemente do gênero e do que está acontecendo na tela. O filme parece sempre ligeiramente desconectado dos acontecimentos, contemplativo. Não dá pra saber exatamente se Villeneuve entende de cinema, de narrativa, ou se simplesmente descobriu um jeito de dirigir que soa sofisticado.

- As discussões do filme sobre linguagem são bem interessantes, parece que o roteirista pesquisou bastante o tema.

- Depois que os aliens começam a se comunicar, o filme perde um pouco o interesse. A protagonista fica sem um objetivo forte, só tem que continuar se comunicando com eles, descobrir o que eles querem. Mas não há uma grande expectativa em relação ao que vai acontecer. Não há muita ação, o mundo não parece estar em perigo, ela não parece ter grandes desejos ou coisas importantes em jogo. E intelectualmente, filosoficamente, politicamente, o filme não tem muito a dizer.

- Por que esse monte de lembranças da filha? Não parece ter nada a ver com a história. Sem falar que já se tornou um pouco clichê isso dos aliens no fim se envolverem em questões pessoais / familiares do protagonista ("viram só, não é um filme escapista tolo, ele fala de coisas 'humanas'!").

- Mal explicada essa cena da bomba! Eles quase mataram os protagonistas e depois as pessoas reagem como se nada de sério tivesse acontecido? Parece que só enfiaram essa cena no filme pra ter uma explosão no trailer e dar a impressão de que o filme não é muito parado.

- O diretor vai fazendo aquela coisa meio Christopher Nolan de tornar a narrativa meio confusa pra fazê-la soar inteligente. Não sabemos se a Amy Adams está acordada, sonhando, lembrando do passado, vendo o futuro... E no meio dessa névoa o filme vai parecendo mais sofisticado pra plateia.

- Não faz muito sentido essa ideia das pessoas passarem a ver o futuro simplesmente por usarem o cérebro de uma forma diferente ao aprender uma outra língua. Também não faz muito sentido a cena em que a Amy Adams descobre o que a esposa do chinês disse no leito de morte.

- No fim dá a impressão que o clímax da história é o fato da Amy Adams convencer o general chinês a não atacar. Mas a história não estava caminhando pra essa direção (na verdade ela nem tinha muito uma direção), então o final soa frustrante.

- Quer dizer que os aliens promoveram a paz mundial simplesmente porque a Amy Adams conseguiu ver o futuro e fazer um truque pra sensibilizar o general chinês? Isso não me parece algo que resolve os conflitos mundiais de maneira significativa. Aliás, esses conflitos com a china só começaram porque os aliens invadiram a Terra! Eles apenas trouxeram uma solução pro problema que eles mesmos criaram. E como será o mundo após o "presente" que eles deram pra humanidade? Vai todo mundo começar a prever o futuro? Isso será bom? Ainda existe livre-arbítrio? Por que os aliens precisarão da ajuda dos humanos em 3000 anos? A história simplesmente não é muito bem escrita.

- A ideia da filha é interessante no final, embora seja algo enfiado na trama só pra dar um senso falso de profundidade. Não é um elemento se integra bem ao resto da história.

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CONCLUSÃO: Impacta pelo visual e pelo estilo de direção de Denis Villeneuve, mas não é tão inteligente ou profundo quanto tenta parecer.

Arrival / EUA / 2016 / Denis Villeneuve

FILMES PARECIDOS: Perdido em Marte (2015) / Interestelar (2014) / Looper: Assassinos do Futuro (2012)

NOTA: 5.5

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