sexta-feira, 14 de julho de 2017

Fala Comigo

Longa de estreia do brasileiro Felipe Sholl sobre um garoto de 17 anos que se envolve com uma das pacientes de sua mãe (psicóloga) que tem mais do dobro de sua idade. O filme tem algumas boas performances e um enredo simples mas que se mantém estimulante do começo ao fim. Meu maior problema com a história (além de algumas manobras improváveis da trama) foi aceitar e torcer pelo romance entre os dois, que acaba de fato parecendo desequilibrado, imaturo, e me deixou torcendo mais pela mãe do garoto (Denise Fraga), que tenta impedir a relação, do que pelos desejos do casal. Desde o começo fica claro que o garoto apenas tem uma tara por mulheres mais velhas - ele não se apaixona especificamente pela personagem da Karine Teles por suas qualidades pessoais, por uma compatibilidade especial entre os dois que seja compreensível pra plateia. Fica difícil entender o que um garoto como ele veria numa mulher como ela. Em filmes sobre relações improváveis como essa, como A Primeira Noite de um Homem ou O Medo Consome a Alma, o parceiro tem sempre uma "virtude compensatória" que acaba ofuscando as diferenças, o que não vemos direito aqui. Ela, por outro lado, já se mostra uma mulher dependente, psicologicamente instável, que mergulha nessa nova relação de forma irresponsável simplesmente pra fugir da depressão e esquecer o ex-marido. Ou seja, se a intenção do filme era a de quebrar tabus, mostrar que toda forma de amor é bonita e válida, ele acaba não funcionando muito bem (pelo contrário, alguns detalhes sexuais acabam até beirando o repulsivo). Ainda assim é um filme que, com um mínimo de recursos, consegue tirar algumas boas reações da plateia.

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Fala Comigo / Brasil / 2017 / Felipe Sholl

FILMES PARECIDOS: Que Horas Ela Volta (2015) / Casa Grande (2014)

NOTA: 5.5 

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